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domingo, novembro 19, 2017

Injustiça se espalha pelas mãos dos injustiçados

Redação do Diário da Saúde

Injustiça contagiosa

Pessoas que se sentem tratadas injustamente normalmente não dirigem sua raiva só para o agressor. Elas frequentemente descarregam suas agressões em pessoas não envolvidas que, por sua vez, em seguida se comportam de forma semelhante, criando um círculo vicioso de injustiça.

"Em tais casos de comportamento desleal, as emoções estão no máximo. Terceiros não envolvidos são frequentemente arrastados para a cadeia da injustiça," explica o professor Bernd Weber, da Universidade de Bonn, cuja equipe fez diversos experimentos para testar esses comportamentos.

A equipe chama esse fenômeno de "reciprocidade negativa generalizada". Reciprocidade negativa significa que as partes envolvidas devolvem o comportamento injusto na base do olho por olho, dente por dente. "Generalizado" refere-se ao fato de o conflito também ser transferido para pessoas que não estavam envolvidas na interação inicial.

Mas parece que pode haver uma forma simples de interromper essa cadeia de comportamento injusto.

Jogo do ditador

Um total de 237 voluntários participaram do "jogo do ditador", em que os participantes no papel de ditadores determinam se vão compartilhar uma certa quantia de dinheiro de forma justa com outro participante ou manter a parte do leão para si e dar apenas uma "lembrancinha" para o outro.

Dos 24 ditadores, 83% escolheram a distribuição injusta, mantendo a maior parte do dinheiro para si. Os outros jogadores não podiam fazer nada a respeito, tendo que aceitar as decisões do ditador.

Escreveu, não leu, resolveu"Esta situação emocionalmente carregada faz com que a pessoa que é tratada de forma injusta se comporte de forma injusta para com os outros," relata Sabrina Strang, coautora do experimento.


Como próximo passo, os pesquisadores investigaram como esta cadeia de ações abusivas poderia ser interrompida.

Os participantes foram divididos em grupos. O primeiro grupo fazia uma pausa obrigatória de três minutos para garantir um distanciamento emocional antes de assumirem o papel de ditadores. O segundo grupo descrevia uma imagem neutra, a fim de distrair-se. E o terceiro grupo se queixava do tratamento injusto em um e-mail para o ditador.

"A estratégia de enfrentamento na forma de uma queixa por escrito mostrou ser a melhor forma de regular as emoções negativas," relatou So Young Park, coautor do estudo.

E, de forma bastante interessante, era irrelevante se o ditador realmente lia a mensagem ou não. Em ambos os casos as emoções negativas dos voluntários foram acalmadas e, em seguida, eles se comportaram de forma mais justa para com os outros.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Scientific Reports.

sábado, novembro 18, 2017

Terapias antienvelhecimento têm efeitos opostos em homens e mulheres

Redação do Diário da Saúde

Gêneros opostos

Tratamentos contra o envelhecimento - tradicionalmente desenvolvidos em animais de laboratório - que se mostraram benéficos para as fêmeas, na verdade podem fazer mal aos homens.

Analisando anos de pesquisas que incluíram avaliações alimentares e farmacêuticas em cobaias que vão de moscas-da-fruta a camundongos, os pesquisadores mostraram que as intervenções contra o envelhecimento podem ter efeitos opostos sobre as taxas de mortalidade em homens e mulheres.

Esses resultados parecem estar de acordo com dados recolhidos em seres humanos, disse o pesquisador John Tower, da Universidade do Sul da Califórnia em Davis (EUA).

Hormônios e dietas

Tower e seus colegas descobriram que tratar os animais com o hormônio esteroide mifespristona/ RU486 - utilizado em seres humanos para a interrupção da gravidez - diminuiu a produção de ovos nas fêmeas e gerou um aumento da longevidade. Porém, os efeitos foram, por vezes, opostos nos machos, causando uma redução no seu tempo de vida.

Efeitos similares foram obtidos por meios não-farmacológicos, ajustando as dietas das moscas-da-fruta e de camundongos.

A equipe destaca que, doravante, os estudos deverão analisar os efeitos de terapias visando aumentar a longevidade separadamente em populações de machos e fêmeas.

As conclusões foram publicadas no Journal of Gerontology: Biological Sciences.

domingo, novembro 12, 2017

Conheça os segredos dos magros por natureza para não engordar

Redação do Diário da Saúde

Sem segredo

Há poucos dias, o Diário da Saúde publicou o resultado de um estudo que ajuda a explicar porque algumas pessoas, os chamados magros por natureza, conseguem manter um peso saudável sem todo o sangue, suor e lágrimas das dietas, sacrifícios 
alimentares e emoções negativas, como a culpa.

Agora, os professores Anna-Leena Vuorinen e Brian Wansink, autores daquele estudo, compilaram os resultados das entrevistas que fizeram com o grupo das pessoas que não fazem esforço para ficar magras.

Esses resultados são mais simples e mais diretos do que as recomendações genéricas feitas em seu estudo original, facilitando a adoção por quem deseja apenas ser saudável e que sabe que isso pode ser feito sem sofrimento.

Além disso, a ênfase no "segredo dos magros por natureza" se dilui bastante, mostrando que, na verdade, não há segredos, mas apenas um comportamento alimentar voltado para a alegria e o bem-estar - não é preciso livrar-se dos alimentos e do prazer que eles dão, mas apenas da compulsão e da ansiedade.

Veja abaixo a compilação das respostas das pessoas que apresentam um comportamento alimentar saudável e, por decorrência, não passam do peso saudável.

Exemplos dos magros por natureza

Quem são eles
  • Têm índice de massa corporal média de 21,7
  • Pesam em média 62 kg
  • 80% são mulheres
  • 24% têm 25 anos ou menos
  • 33% têm entre 26 e 40 anos
  • 43% têm mais de 41 anos
O que eles comem
  • 61% consideram frango a carne preferida
  • 35% comem salada todos os dias
  • 65% comem vegetais no jantar todos os dias
  • 7% são vegetarianos
  • 33% não consomem álcool
O que eles também comem
  • 51% incluem frutas e vegetais no café da manhã
  • 31% incluem ovos no café da manhã
  • 44% "beliscam" principalmente frutas
  • 21% "beliscam" principalmente castanhas e nozes
O que eles fazem e o que não fazem
  • 48% nunca fazem dietas
  • 74% raramente fazem dietas
  • 50% checam o peso semanalmente
  • 29% nunca checam o peso
E os exercícios físicos?
  • 10% nunca fazem exercícios físicos
  • 32% exercitam-se 1 ou 2 dias por semana
  • 27% exercitam-se 3 ou 4 dias por semana
  • 42% exercitam-se de 5 a 7 dias por semana

Entre os depoimentos desses voluntários, destacam-se frases como: "Eu prezo mais a qualidade do que a quantidade" e "Eu me exercito para ficar forte e como para ficar magro".

sábado, novembro 11, 2017

Nossa alimentação afeta nossos genes

Redação do Diário da Saúde


Alimentação e genes

Que a atividade dos nossos genes influencia o nosso metabolismo é algo que se sabe há tempos. A novidade é que o oposto também é verdadeiro, e os nutrientes disponíveis para as células influenciam nossos genes. Mais do que isso, quase todos os nossos genes podem ser influenciados pela comida que ingerimos.

"O metabolismo celular desempenha um papel muito mais dinâmico nas células do que pensávamos até agora. Quase todos os genes de uma célula são influenciados por mudanças nos nutrientes a que têm acesso. 

Na verdade, em muitos casos, os efeitos são tão fortes que mudar o perfil metabólico da célula pode fazer alguns de seus genes se comportarem de uma maneira completamente diferente," explica o professor Markus Ralser, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Os resultados foram publicados na revista Nature Microbiology.
Metabolismo e genes

O comportamento das nossas células é determinado por uma combinação da atividade dos seus genes e das reações químicas necessárias para manter as células, o conhecido metabolismo. O metabolismo funciona em duas direções: a quebra de moléculas para fornecer energia para o corpo e a produção de todos os compostos necessários para as células.

Conhecer o genoma - o projeto fundamental do DNA de um organismo - pode fornecer uma quantidade substancial de informações sobre como se comportará um organismo em particular. No entanto, isto não dá a imagem completa: os genes podem ser regulados por outros genes ou regiões de DNA, ou através de modificadores epigenéticos - pequenas moléculas ligadas ao DNA que agem como interruptores para ligar e desligar os genes.

Estudos anteriores sugeriram que pode existir um outro controlador nessa complicada regulação dos genes: a rede metabólica - as reações bioquímicas que ocorrem dentro de um organismo. Essas reações dependem principalmente dos nutrientes à disposição da célula - os açúcares, aminoácidos, ácidos graxos e vitaminas derivados dos alimentos que comemos.


Os pesquisadores manipularam os níveis dos metabólitos essenciais, os produtos das reações metabólicas, nas células de levedura, normalmente usada como modelo nesses estudos, e analisaram como isto afetava o comportamento dos genes e as moléculas que o organismo produzia.

90% dos genes alterados pela alimentação


Quase nove em cada dez genes e seus produtos foram afetados por mudanças no metabolismo celular.

"A visão clássica é que os genes controlam como os nutrientes são quebrados em moléculas importantes, mas nós mostramos que o oposto também é verdadeiro: a forma como os nutrientes são quebrados afeta o modo como os nossos genes se comportam," disse Ralser.
Genética e medicamentos

A equipe acredita que as descobertas podem ter implicações de grande alcance, inclusive sobre como nosso corpo responde a determinados medicamentos. Nos cânceres, por exemplo, as células tumorais desenvolvem múltiplas mutações genéticas, que modificam a rede metabólica no interior das células. Isto, por sua vez, pode afetar o comportamento dos genes e pode explicar porque alguns medicamentos não funcionam para alguns indivíduos.
"Outro aspecto importante das nossas descobertas é uma questão prática para os cientistas," explica diz o Dr. Ralser. 

"Experimentos biológicos são frequentemente não-reprodutíveis entre os laboratórios, e nós muitas vezes culpamos o desleixo dos pesquisadores por isso.


"Parece, no entanto, que pequenas diferenças metabólicas podem alterar os resultados dos experimentos. Precisamos estabelecer novos procedimentos laboratoriais que controlem melhor as diferenças no metabolismo. Isto nos ajudará a projetar experimentos melhores e mais confiáveis," concluiu Ralser.

domingo, novembro 05, 2017

Mapa térmico do amor mostra onde o amor aquece

Redação do Diário da Saúde


Mapa térmico do amor

Seus criadores chamam-no de "mapa térmico do amor". Trata-se de um novo método de imageamento, baseado na termografia, que permite identificar objetivamente se uma pessoa está apaixonada ou não.

Os experimentos e testes mostraram que basta olhar para uma foto da pessoa amada para que sejam induzidas mudanças térmicas no corpo, mudanças essas que são captadas pela nova técnica.

Essa "imagem do amor" foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Granada (Espanha).

Onde o amor aquece

Os pesquisadores analisaram diferenças de temperatura entre os voluntários enquanto eles viam fotos de seus parceiros ou imagens que produziam neles uma resposta emotiva diferente do amor, como ansiedade, calma ou empatia.

No laboratório, os voluntários ficavam nus durante 20 minutos a fim de equalizar a temperatura corporal. Cada um chegava à sua temperatura basal, que era então medida.

Um grupo olhava então fotos do alvo de seu amor, enquanto o grupo de controle via imagens tiradas do Sistema Internacional de Imagens Afetivas, para produzir ansiedade, ou fotos da família e de amigos.

Os resultados mostraram que o amor aumenta em dois graus Celsius a temperatura das bochechas, mãos, tórax, genitais e ao redor da boca.

Diferença entre amor e empatia

Apesar dos resultados muito claros, os autores alertam que o "padrão térmico do amor é muito complexo", uma vez que inclui a coexistência da paixão e do desejo sexual (ou a falta delas), em contraste com a predominância da empatia e da intimidade ou compromisso e relacionamento legal, por exemplo.

"A termografia nos mostra que a paixão aumenta a temperatura em torno das mãos e do rosto, enquanto a empatia (a capacidade de 'sintonizar' com o outro como pessoa, não apenas como um objeto de desejo) diminui essa temperatura, especialmente no nariz.

É como se a paixão fosse um acelerador que liga nosso corpo, e a empatia fosse um freio que interrompesse a ativação," disse o professor Emílio Gómez Milán.


Em resumo, o amor romântico seria uma mistura de paixão e empatia.