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domingo, abril 18, 2010

Anualmente, são dez milhões de inscrições

Segundo o Ministério do Planejamento, o orçamento de 2010 prevê 47,4 mil novas vagas, não se contando aí os pesquisadores temporários que o IBGE vai contratar para o censodemográfico. Levantamento da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos - entidade que congrega cursos preparatórios, editoras, professores especialistas em concursos e concursandos - indica que as inscrições anuais nos concursos alcançam hoje os dez milhões.

Sócio do Gabarito, no Centro do Rio e especialista no assunto há 20 anos, Humberto Alves afirma que, geralmente, os alunos que frequentam as aulas pela manhã ou à tarde são aqueles que estão disponíveis integralmente para o estudo - cerca de 40% do total dos 1500 alunos do curso hoje. Ele diz ainda que, apesar de a concorrência por cargos públicos sempre ter sido acirrada, fazendo com que a dificuldade em passar hoje seja bem maior.

Segundo Alves, o fato de muitos candidatos estarem decidindo parar de trabalhar para estudar se configura como uma mudança significativa no perfil de quem presta concurso hoje em relação aos concorrentes de três décadas atrás. E a corrida pelo concurso vem muito, na opinião dele, da falta de capacidade de a iniciativa privada absorver a mão de obra que chega ao mercado a cada ano:

- As pessoas pensam que o concurso, ao contrário da concorrência na iniciativa privada, só depende delas, é mais democrático.

Sylvio Motta, professor da Escola de Magiustratura do Emerj e diretor do curso preparatório Companhia dos Módulos, alerta, no entanto, para o fato de que nem sempre é aconselhável abdicar do trabalho e se dedicar exclusivamente a estudar:

- É uma atitude radical e que eu não recomendo, porque o processo do concurso público é extremamente desgastante, tanto emocional quanto financeiramente. Na maioria dos casos, quem para de trabalhar para estudar estabelece um prazo para que a aprovação ocorra e isso é uma temeridade, por que cria um nível de estresse alto.

Ainda segundo Motta, há muitos casos de profissionais que pararam de trabalhar para estudar e depois se arrependeram:

- A excecção fica por conta das pessoas que têm familiares que possam custear esse período de dedicação exclusiva aos estudos. Historicamente, analisa Alves, houve uma mudança no cenário social, porque o setor público e a prsença do Estado na economia se expandiram. Um fato determinante nesse panorama, ressalta, foi a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu a obrigatoriedade do ingresso no serviço público através de concurso.

- A partir da década de 1990, os processos de seleção pública passaram a ser obrigatórios e abertos a todos. Antes, quem já trabalhava indicava amigos e parentes e existia a figura do funconário fantasma - relembra Alves, acrescentando que a realização de concursos permitiu que o quadro de servidores passasse a ser mais preparado.

- Hoje, comparado com o setor privado, que ficou estagnadoe não absorve toda a mão de obra qualificada, o serviço público é atraente em diferentes aspectos.

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