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sexta-feira, abril 16, 2010

(continuação) máfia de branco

Médico receberia proprina de até 25%

Os envolvidos, segundo as investigações, forjavam documentos para justificar a compra de "espirais de platina" para embolização de aneurisma, materiais que muitas vezes nem era usados nos procedimentos cirúrgicos. O neurocirurgião Carlos Henrique Ribeiro recebia, segundo a polícia, propina de 15 a 25% do valor de cada nota fraudada.

De acordo com o delegado Fábio Cardoso, titular da Delegacia de Repressão aos crimes contra a Saúde Pública, o esquema chamou a atenção porque, no Salgado Filho, todos os procedimentos de embolização de aneurisma utilizavam 12 espirais, quandoi o normal é a utilização de cerca de cinco em cada paciente:

- Doze espirais era o máximo que ele podia comprar sem licitação. Uma paciente deu entrada no hospital com aneurisma, mas não chegou a fazer o procedimento porque teve oclusão espontânea. mas, na nota fiscal, consta que foram usados 12 espirais e mais cateteres; uma cirurgia que não houve e que custou R$ 30 mil à prefeitura, disse.

As espirais eram fornecidas pela empresa Extencion, na Barra, do empresário Jorge Figueiredo Novaes. Policiais estiveram em um de seus endereços, uma cobertura no Condomínio Golden Green, na Barra, onde, além de documentos, foram apreendidos dois revólveres calibre 38 e munição.

Apesar de a polícia não ter conseguido mandado de prisão contra ele e os outros envolvidos na fraude - o juiz entendeu que não havia, até então, argumentos para a prisão e que os envolvidos poderiam responder em liberdade - o empresário acabou preso por posse ilegal de armas, mas pagou fiança e foi liberado.

- Ele era chamado pelos funcionários de "o grande poderoso". Era o homem da quadrilha que estabelecia as propinas. Na empresa, além de documentos, apreendemos materiais cirúrgicos sem registro da Anvisa - contou o delegado.

Segundo o Jornal Nacional, o advogado do médico negou todas as acusações, enquanto o de Jorge Novaes disse que seu cliente "trabalhava de forma regular". De acordo com a polícia, o empresário seria dono de mais duas empresas - Weck Medial, em Vila Isabel e Interimagem Serviços Médicos, em São Conrado.

Os policiais estiveram nos endereços e apreenderam documentos e computadores. Em São Conrado, foi indiciado o neurocirurgião Wagner Monemori Mariushi, especializado na Alemanha e braço direito do Carlos Henrique Ribeiro no Salgado Filho. De acordo com a polícia, o médico também recebia propina para fraudar notas fiscais.

Em Vila Isabel, a polícia indicou Fernanda Simões da Silva, gerente da Extencion e sócia da filha do empresário Jorge Figueiredo na Weck Medical. Fernanda, segundo as investigações, negociava diretamente com os médicos o valor das propinas. Ela tabmém acabou sendo presa, não pelos crimes que foi indiciada, mas por manter em depósito medicamentos impróprios para o uso.

O quinto homem da quadrilha é Antônio Henrique Brazil de Bria. Segundo as investigações, ele era o represante comercial da Extencion e o elo entre a empresa e os médicos. A polícia investiga também se o empresário Jorge Figueiredo novaes cometeu o crime de lavagem de dinheiro. As investigações dão conta de que o empresário tem um patrimônio de cerca de R$ 10 milhões. A Extencion, segundo a polícia, tem um capital de R$ 3 milhõrd e a cobertura na Barra teria sido avaliada em R$ 2 milhões, mas segundo o delegado é residência da filha do empresário.

- Ele também tem uma lancha avaliada em R$ 1,2 milhão e carros que somam R$ 1 milhão. Sabemos, também que as três empresas investigadas são dele, mas estão em nomes de laranjas. Vamos verificar se o patrimônio é compatível com suas atividades - informou Cardoso.

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