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terça-feira, abril 13, 2010

Descobertos genes no cérebro associados à obesidade

(Redação do Diário da Saúde)

Obesidade pode estar no cérebro

Seis novas variantes genéticas estão associadas com o aumento do Índice de Massa Corporal, a medida de obesidade mais utilizada no mundo todo. Os genes foram identificados em um estudo de mais de 90.000 pessoas, feito no Institute of Metabolic Service, na Inglaterra.

Cinco desses genes estão ativos no cérebro, sugerindo que os processos que levam à obesidade podem afetar o comportamento, em vez de afetar os processos químicos que fazem o metabolismo da gordura e que fornecem energia para o corpo.

"É extraordinário que estejam no cérebro as variações genéticas mais influenciadas na obesidade, em vez de nos tecidos adiposos ou nos processos digestivos. Até 2007, não havia sido descoberta nenhuma associação genética da 'obesidade comum', mas hoje quase todos esses genes que nós descobrimos parecem influenciar as funções cerebrais," disse a Dra. Inês Barroso, uma das autoras da pesquisa, que foi publicada na revista Nature Genetics.

Diferença entre calorias ingeridas e consumidas

O aumento de peso ocorre quando a quantidade de calorias ingerida excede a quantidade de energia consumida. Entretanto, por trás de uma equação aparentemente tão simples estão processos comportamentais - como o apetite e o sentimento de saciedade - e processos bioquímicos, que nossos corpos usam para consumir e armazenar energia na forma de tecidos gordurosos. Uma parte do cérebro chamado hipotálamo controla a maioria das funções básicas do nosso corpo, como a temperatura, a fome e o equilíbrio de fluidos. É no hipotálamo que está a programação para a manutenção do equilíbrio entre ingestão e consumo de energia.

Os genes e a obesidade


"Muito ocasionalmente, mutações nos genes ativos no hipotálamo têm conseqüências dramáticas para o ganho de peso e as pessoas que têm essas mutações são severamente obesas. Estas mutações têm sido consideradas exceções.

Entretanto, nós sugerimos que o quadro para a obesidade comum é muito similar: muitos ou a maior parte dos genes associados com o aumento do Índice de Massa Corporal estão ativos no cérebro," disse a Dra Ruth Loos, outra participante do estudo.

Os pesquisadores alertam que inúmeros outros genes ligados à obesidade ainda devem estar por ser descobertos, principalmente porque os seis genes agora revelados têm uma influência modesta: uma pessoa que tenha todas as seis variações terá uma média de peso entre 1,5 e 2 kg maior do que a média.

Terapias comportamentais contra a obesidade


Com o avanço das pesquisas, e com a descoberta de novos genes associados à obesidade, os cientistas esperam que novas formas de tratamento para a doença possam ser desenvolvidas. A influência de genes expressos no cérebro também aponta fortemente para a necessidade de terapias comportamentais, que poderão ter efeitos superiores à ingestão de medicamentos contra a obesidade. Sobre outra pesquisa recente com relação à obesidade e comportamento, veja Dieta e exercícios são melhores que cirurgia bariátrica contra obesidade.

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