Páginas

segunda-feira, abril 12, 2010

Elas são bonitas, inteligentes, independentes... e estão sozinhas!

Geração solteira

por Rosana F.

Ela tem entre 30 e 40 anos, é bonita, inteligente, bem sucedida e solteira. Por trás de toda sua beleza e do estilo independente de vida, há uma mulher que sonha encontrar um grande amor com quem dividirá a pia do banheiro e constituirá família.

O problema é que, por mais que sejam atraentes e 'bom partido', elas não conseguem encontrar um par. Afinal, o que acontece com essa geração de mulheres solteiras?

Gabriele tem 32 anos e mora sozinha. Também vai ao cinema sozinha. Passa a manhã de sábado na praia sozinha. Vai a casamentos sozinha. E janta sozinha. "Já me acostumei", diz a jornalista, que não se aperta em nenhuma dessas situações - a não ser quando o pai pergunta quando vai ganhar um netinho.

"A pressão familiar existe. Eu faço graça, saio de fininho, mas eles sabem que a questão da maternidade me preocupa. Mas como pensar em filhos, se ainda não tenho um parceiro de vida?". Ela não costuma sair à caça.

"Fico em casa. Não creio que vá encontrar um namorado em boates ou bares da moda. Por enquanto, vou levando com calma e fé que vai aparecer alguém na hora certa", diz, devota de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Algumas mulheres têm profissões que assustam os homens: são líderes, ganham bem, são 100% independentes, como Paula, que tem 38 anos e está sem namorado. Sua profissão: policial federal. "Ah, assusta, claro que assusta. No primeiro encontro, evito ao máximo dizer o que faço. Saio pela tangente, brinco que sou vendedora da Avon, bailarina", brinca.

Paula admite que a carreira sempre esteve em primeiro lugar. "Para fazer meu pé de meia, né? Hoje tenho apartamento próprio e estou pronta para formar família", avisa ela, que tem viagem marcada para semana que vem - passa três meses fora, revelando outra característica que dificulta a evolução de um namoro.

"Eu estava até conhecendo um carinha, mas ele deu uma desanimada quando soube que eu iria viajar por tanto tempo", conta a policial federal, que lamenta, mas não tem outra opção.

Quem não tem uma amiga bonita e independente que não consegue engrenar um namoro? Para a publicitária Michelle Fernandes, essas mulheres continuam solteiras porque fantasiam demais.

"Tenho um exemplo próximo: uma amiga linda, totalmente independente e sozinha. Tudo isso porque se o cara é bonito, ela diz que é galinha; se o cara é feio, diz que não pode aparecer com ele na sociedade. As mulheres têm mania de escolher um homem para mostrar para as outras e não para ter alguém que seja realmente companheiro".

Michelle defende que o namorado não precisa ser rico e sarado, mas deve saber como tratar uma mulher. Ela mesma teve que mudar de atitude para, enfim, conhecer a pessoa certa.

"Antes eu tratava os homens como objetos e, mesmo que gostasse deles, fingia que não estava nem aí. Hoje passei a me levar a sério e aprendi que sou uma mulher de verdade. Passei a atrair olhares diferentes, passei a mostrar o quanto sou legal e agradável e fazer o cara se interessar por mim", conta ela, que está namorando há pouco tempo, vivendo um dia de cada vez.

O psicólogo Ailton Amélio, autor do livro "O mapa do amor" (Ed. Gente), afirma que as mulheres passam por três fases: aos 20 anos, "tudo é festa"; aos 30, "é agora ou nunca"; aos 40, "olha nós aqui outra vez".

"A geração solteira é composta por essas mulheres entre os 30 e 40 que estão ansiosas por um relacionamento sério. Elas fazem os cálculos e temem não terem tempo de conhecer alguém, namorar, casar, ter o primeiro filho, o segundo. Ficam ansiosas, fazem bobagens e podem se atrapalhar na hora de conhecer um homem", afirma, salientando que algumas mulheres nessa faixa etária estão muito desconfiadas e amarguradas, pois acreditam que homem só quer sexo - ou então é gay!

“Basta a mulher ser otimista, estar decidida a se envolver com alguém, não passar a vida se lamuriando e dar uma chance ao amor”

Segundo o psicólogo, a mulher de 30 anos, bonita e bem sucedida está em uma situação delicada. "Ela quer um homem que tenha idade igual ou maior que a dela. Esse homem também tem que ter nível social igual ao superior ao dela. Já o homem olha pra baixo: ele quer uma mulher de nível social igual ou um pouco menor que o dele, que tenha idade igual ou menor que a dele", explica Ailton, mostrando que os homens têm mais parceiras disponíveis que nós, mulheres, que somos mais exigentes. "Há um desencontro", afirma ele.

Mesmo assim, o psicólogo lembra que esse cenário pode ser superado. "Basta a mulher ser otimista, estar decidida a se envolver com alguém, não passar a vida se lamuriando e dar uma chance ao amor", sugere Ailton, dizendo que, se tudo der errado, ainda tem jeito: "Se não funcionar, recomendo Santo Antônio".










Nenhum comentário:

Postar um comentário