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domingo, abril 18, 2010

Empreendimentos que quiserem apostar na tendência devem ter em mente os preconceitos que ainda existem contra a “comida de coelho” Ricardo F.

Cresce a preocupação com alimentação saudável e com ela os negócios do setor

Outra rede que segue a tendência saudável é a Wraps. A franquia se inspirou nos enroladinhos americanos, por sua vez importados dos burritos mexicanos, para criar lanches e refeições mais saudáveis. “Desenvolvemos wraps com ingredientes leves e sofisticados, como filé mignon, peixe, queijos light e folhas verdes”, explica Marcelo Ferraz, proprietário da rede.

Depois de alguns anos, ele percebeu existir uma demanda por comida saudável mais rápida, fast food saudável. Em 2009, estava criada a Go Fresh, em que o cliente monta a própria salada, e adiciona um pão integral e um grelhado.

A presença do grelhado é importante, segundo ele, para as pessoas não ficarem com a sensação de que comida saudável não alimenta. “Há um preconceito muito presente, principalmente masculino, de que folha não enche barriga”, diz Lívia Barbosa, da CAEPM-ESPM.

Segundo ela, faz parte da cultura a sensação de que comida deve pesar no estômago, e não apenas alimentar com os nutrientes necessários. “Você não vai resolver isso oferecendo palitinhos de cenoura na hora do lanche. O brasileiro, em geral, considera indispensável a presença da carne”, afirma ela. A mudança deve ser gradual.

Por conta dessa mentalidade é que a alimentação saudável ainda não cresceu tanto.

“Se eu tivesse dinheiro para abrir cem lojas hoje, eu não o faria, porque esse mercado ainda não está muito amadurecido”, diz Marcelo Ferraz, da Wraps. De fato, na indústria de alimentação em 2008, os alimentos diet/light, fortificados e funcionais representaram apenas 8% das vendas, somando R$ 21,8 bilhões, segundo Ribeiro, da ABIA.

“A pouca participação desses produtos é um problema de evolução de mercado. À medida que a população se informa mais sobre alimentos saudáveis, o mercado amadurece: o consumidor fica mais exigente e as empresas ficam mais competitivas, melhorando seu produto. Tem bastante espaço para crescer”, afirma ele.

Outro preconceito muito latente é de que o saudável não é gostoso. “Isso é porque geralmente se associa alimento saudável à comida macrobiótica, que propõe o mínimo de intervenção no alimento e procura servir a maioria das coisas ao natural”, diz Lívia.

As redes de alimentação também têm essa consciência e investem na variedade. A Salad Creations, por exemplo, diversifica os ingredientes para provar que comida saudável vai além de comer alface e cenoura. A rede foi fundada em 2004 na Flórida, nos Estados Unidos, e veio para o Brasil em 2007 com lojas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Seu grande diferencial é oferecer mais de 40 ingredientes e diferentes molhos para o cliente montar a própria salada. Prova de que a iniciativa deu certo é o faturamento da empresa, que cresce em média 30% ao ano. A rede já possui 13 lojas no Brasil, pretende abrir mais 14 em 2010 e chegar a 50 no fim de 2011.

Não é apenas com saladas que se pode ser saudável; outro alimento de consumo crescente é o frozen yogurt. Ele é comparável ao sorvete, mas tem metade das calorias e muito menos gordura. Nos Estados Unidos, onde faz mais sucesso, representa 30% do mercado de congelados, e seu consumo cresce mais do que o do sorvete comum. Duas grandes redes que trabalham com o produto aqui no Brasil são a Yogoberry e a Yoguland.

A Yogoberry foi fundada no final de 2007, e menos de três anos depois já possui 26 unidades abertas na região Sudeste e no Distrito Federal. O faturamento da rede cresceu 30% de 2008 para 2009, chegando a R$ 2 milhões.

A Yoguland, que atua no mesmo nicho, fundada há menos de um ano, já está com seis unidades abertas na região Sul e em São Paulo, faturando em média R$ 80 mil cada loja. Ambas estão se expandindo por meio de franquias e apostam no amadurecimento do consumidor, que procura cada vez mais alternativas saudáveis na hora de se alimentar.

O público da alimentação saudável ainda é predominantemente feminino, afirmam Rafael Soares, proprietário da Yoguland, e Marcelo Ferraz, da Wraps. Os restaurantes de comida saudável querem passar a mensagem, principalmente aos homens, de que uma refeição em seus estabelecimentos equivale a uma refeição completa.

“Hoje a diferença entre homens e mulheres no nosso público é menor do que quando começamos; tentamos passar aos homens, em geral mais glutões, a mensagem de que comida saudável não deixa com fome”, afirma Ferraz.

Não é porque existe essa tendência saudável que você deve parar tudo o que faz no seu restaurante e começar a vender alface, é só ter em mente a importância crescente que o consumidor atribui à saúde na alimentação. E não é preciso vender apenas alimentos saudáveis, há várias franquias apenas tornando seu cardápio mais leve. Só não pode ficar parado, porque essa tendência vai crescer por décadas.

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