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domingo, abril 11, 2010

Martha Medeiros sempre a caminho de um palco

Depois do sucesso de "Divã", nova onda de peças baseadas em crônicas da autora gaúcha chega aos teatros - Tom Leão

Mesmo sem escrever diretamente para teatro, a colunista do Globo, Martha Medeiros tornou-se uma das autoras mais montadas do momento. Para espanto dela própria:

- Na verdade, eu não sabia disso, até você me procurar para esta matéria, diz. O motivo? Depois de "Divã", com Lilia Cabral, que foi um dos maiores sucessos do teatro brasileiro nos últimos anos (e também virou um filme de sucesso com a mesma atriz), vem aí "Doidas e santas", peça interpretada por Cissa Guimarães e escrita por Regiana Antonini (com direção de Ernesto Piccolo) que se baseou nas crônicas que Medeiros escreve para a Revista O Globo - estreia em maio, na Sala Tônia Carrero do Teatro Leblon) e, programada para setembro, a estreia de "Tudo que eu queria te dizer", adaptação de um livro dela.

- Fico feliz. Isso significa que o meu texto é comunicativo e tem potencial para ser reinventado e utilizado em outros veículos, essa movimentação me atrai. Não tem acontecido apenas com os textos de crônica e ficção. Acontece com a poesia também, conta.

"Selma e Sinatra" também pode ir parar ao palco

Além dessas duas peças inéditas, no dia 07/05 reestreia no Rio, no Centro Cultural Justiça Federal. "De mim que tanto falam", com Cristina Mayrinl e Daniela Olivert, em que as duas atrizes interpretam poemas de Martha. Aliás, Cristina também está com um projeto para montar "Selma e Sinistra", o livro de ficção que Medeiros lançou em 2005, logo depois de Divã. Mas esse ainda é apenas um projeto.

- Os livros sempr vieram antes, nunca depois. E, quando os escrevo, nunca penso na sua possível adaptação para outro veículo. Só uma vez isso aconteceu e foi justamente com "Selma e Sinistra" que imaginei, primeiramente, como uma peça de teatro, mas, como não tenho experiência como dramaturga, desisti e lancei como um romance.

No geral, Medeiros gostou das adaptações de seus textos para teatro e também cinema e, relembra os primeiros: - as duas primeiras experiências com teatro se deram aqui no sul. Primeiro, foi com meu livro de crônicas "Trem-bala", direção de Irene Britzske, com elenco gaúcho. Ela escolheu 13 crônicas e as montou como esquetes e ficou bom demais. Quando ela me procurou com essa ideia, fiquei muito insegura, pois minhas crônicas não possuem diálogo, personagens, ficção, são textos meramente opinativos, eu não via como seria possível dramatizá-los. Mas ela conseguiu e o mais inacreditável fo ique não mexeu uma linha sequer nos textos originais. Foi um sucesso.

Depois a própria Irene montou "almas gêmeas", um espetáculo que utilizava textos que Martha publicava no site Almas Gêmeas, do portal Terra, só sobre relacionamentos.

- E com o mesmo elenco. Deu certo de novo. A partir daí, fiquei mais confortável com as adaptações. Anos depois, surgiu a montagem do "Divã", com a grande Lilia Cabral. Gostei da pela e gostei ainda mais do filme. Acho que ficou delicado, sem vulgaridade - minha única exigência quando me procuram é que evitem vulgaridade, não suporto. E ambos, peça e filme, conseguem um bom equilíbrio entre o riso fácil e a reflexão. Ela contou em que pé está o projeto de adaptação de "Tudo o que eu queria te dizer":

- As coisas andam rápido. Semana passada soube que os Correios patrocionarão a peça. E, ontem, soube que a atriz Beatriz Nogueira e o direotr Victor Garcia Peralta já estão confirmados. Caio Blat possivelmente trabalhará no projeto também. Estreia em setembro, no Teatro Leblon.

A produtora de "Tudo o que eu queria te dizer", Kelly Goldoni, conta como se envolveu no projeto e como ele está:

- Sou leitora da Martha, da coluna e dos livros, mas foi uma grande amiga quem leu o livro e me recomendou. li, amei e, na metade, já marquei uma reunião com ela e falei de meu interesse por produzir. Mas o processo levou dois anos e só recebemos aprovação do projeto agora em janeiro, quando saíram os editais de empresa e os Correios se interessaram em patrocinar.

Martha não sabe o que verá em adaptação de textos seus

Já sobre "Doidas e santas", que estreia antes, Medeiros comenta como foi o processo:

- Quase um ano atrás, ouvi a primeira leitura da peça na casa da Cissa Guimarães, mas ainda estava tudo muito embrionário. Sugeri algumas alterações e depois disso não soube de mais nada. Sei que fizeram muitas mudanças, mas não sei quais. Dia 10/04 a peça estreia aqui em Porto Alegre e vou me sentar na plateia sem saber exatamente o que verei - diz Martha.

A atriz Cissa Guimarães, ansiosa, conta como "Doidas e santas" chegou até ela:

- teve um domingo em que li uma crônica muito feminina, que se encaixava naquele meu momento dominical, estava numa ruptura amorosa. Vi o e-mail da Martha lá e escrevi para ela dando os parabéns. Ela me respondeu imediatamente e começamos uma relação de e-mail. Então, um dia perguntei se ela tinha um texto, já que eu estava querendo produzir algo.

Quando ela falou o nome "doidas e santas", me identifiquei muito. Aí, ela me deu o livro e assim começou a nossa relação. E foi uma coisa muito rápida: ela veio ao Rio, a gente se encontrou e agora estamos amigas. O texto fala de mulheres semelhantes, idades semelhantes, que passaram por coisas semelhantes, exatamente o que eu estava querendo. Até o título caiu como uma luva em mim, oi incrível. Era para ser - conta Cissa, empolgada.

Martha explica que não costuma ficar muito em cima para não atrapalhar ou influenciar as suas adaptações:

- Em princípio, não. Assim como no "Divã", não assisto a ensaios, gosto de me manter distante do processo, acho que assim a equipe trabalha melhor, sem a pressão do autor presente e eu não me estresso tanto, consigo exercer melhor o meu desapego.

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