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domingo, abril 18, 2010

O morro vai a Cannes

Novo "5 x favela" representará o Brasil na mostra francesa - Rodrigo Fonseca

Ser excluído da disputa pela Palma de Ouro será menos doloroso para o Brasil neste ano em que o alagoano Carlos Diegues, esclalado para integrar o jurí de curtas-metragens e filmes universitários do 63 Festival de Cannes, levará "5 x favela, agora por nós mesmos", para mais importante mostra de cinema do mundo.

Ensaio sobre o cotidiano das comunidades cariocas, dividido em cinco episódios pilotados por sete jovens realizadores - Manaira Carneiro e Wagner Novais ("fonte de renda"), Rodrigo Felha e Cacau Amaral ("concerto para violino"), Cadu Barcellos ("deixa voar") e Luciana Vidigal ("ascende a luz") - o filme será exibido fora da competição pela Palma, agendada para 12 a 23 de maio.

Um dos diretores do "cinco vezes favela"original, de 1961, Diegues é o produtor do projeto, simbolode uma nova linguagem audiovisual, gestada na periferia do Rio.

- Esses meninos merecem esta chance em Cannes e vamos levar todos para a Croisette - diz Diegue, lembrando que a Columbia Pictures agendou o lançamento comercial de "5 x favela " para agosto.

- Todos os filmes feitos na Retomada sobre a periferia, incluindo o meu "orfeu", eram obras de cineastas de classe média que olhavam a favela de fora. Foram produzidos olhares brilhantes, como " Cidade de Deus" e "Tropa de Elite", dos quais eu gosto muito. Agora temos um ponto de vista diferente. Um ponto de vista dentro, sem autopiedade ou autocomplacência, com esperança.

Além da produção coordenadapor Diegues - que concorreu à Palma de Ouro em 1980, com "bye, bye brasil": em 1984, com "Quilombo": em 1987, com "Um trem para asestrelas", Cannes vai exibir outro longa-metragem com o Brasil no DNA. Coproduzido pelo crítico de cinema paulista Leon Cakoff, o drama "O estranho caso de Angélica", do cineasta português Manoel de Oliveira, traz a atriz e diretora carioca Ana Maria Magalhães em seu elenco.

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