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segunda-feira, abril 12, 2010

OS ANIMAIS TEM ALMA? Marcelo Henrique

"A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e desperta no homem" (León Denis)

Algumas questões filosóficas e científicas povoam o cenário mental dos homens de nossa era. Na conceituação espírita de Universo, e dos seres que o compõem, já é de entendimento consensual a inter-relação entre os diversos reinos (mineral, vegetal, animal e hominal), propiciando uma visão sistêmica e encadeada.

Da proximidade entre homens e animais, portanto, exsurge a questão que é o título deste nosso ensaio: os animais têm alma? De início é necessário buscar a conceituação de Alma - ser inteligente, imaterial e individual, que interage com o corpo humano e que sobrevive após a morte biótica dele.

Representa, de plano, a fase encarnada do Espírito, enquanto o Espírito representa a fase em que este ser inteligente encontra-se desencarnado. O conceito de alma só é representativo quando se refere ao ser humano.

Isto porque, da exegese dos itens 597, 597 a, e 598, de O livro dos espíritos (OLE), depreende-se que há, nos animais, um princípio independente da matéria e que sobrevive ao corpo. In verbis: "É também uma alma se quiserdes", diz o Espírito de Verdade.

Mas, de essência inferior à dos homens, havendo entre um e outro uma distância tão grande quanto a que se instala entre os homens e Deus. A alma dos animais, pois, conserva sua individualidade, embora sem a consciência do eu, de vez que a vida permanece em estado latente.

Mas, há um importante qualificativo: a alma dos animais é alma animal. É semelhante, análoga, parecida com a do homem, porém não é igual. Complementarmente, em A gênese, capítulo 3, item 21, encontramos: "(...) a verdadeira vida, do animal, tal como a do homem, não se encontra no envoltório corporal; ela está no Princípio Inteligente que preexiste e que sobrevive ao corpo."

Com a morte biótica, a alma do animal se separa do corpo, dirigindo-se para a Erraticidade, onde é acolhida por Espíritos humanos que a classificam, estudando-lhe o comportamento fisiológico do seu "corpo perispiritual", antes submetido às intempéries (crosta terrestre, ou meios aquático e aéreo) e dificuldades (luta pela sobrevivência, seleção natural e cadeia alimentar dos ecossistemas).

Ocorrem as mutações genéticas perispirituais, porque em razão da "seleção natural", as almas sofrem sucessivas mudanças (acompanhadas das citadas mutações genéticas espirituais, justificando, assim, a relativa rapidez que a Teoria da Evolução Darwiniana preconiza).

O corpo perispiritual é sempre o modelador biológico do corpo físico (denso). Possuindo a citada individualidade, a alma dos animais submete-se à reencarnação imediata (quesitos 600 e 601, OLE), não sem antes ser estudada e classificada, para que as citadas - possíveis e necessárias - alterações possam ser processadas pelos Espíritos encarregados de efetuarem as mutações.

Darwin conseguiu comprovar e explicar as variações nos bicos das aves, nos cascos dos animais, na colocação de mariposas e insetos operários (teoria social), e a distribuição da vida em todo o globo e em todas as eras.

Mas há inúmeras lacunas inexplicáveis pela teoria de evolução darwiniana. A nível celular, inclusive, os recentes esforços e descobertas científicos, na pesquisa do mecanismo da vida em nível molecular (animal, vegetal e humana), confirmou-se a idéia do planejamento inteligente da vida.

A vida é vivida nos pormenores, em partículas pequenas demais para serem vistas. Se, todavia, ampliarmos a idéia de EVOLUÇÃO para os mundos material e espiritual, poderemos encontrar a resposta (no nosso nível de compreensão) dos inúmeros questionamentos que temos.

As moléculas alteram seus comportamentos, sob a direção dos genes, os quais são direcionados pelas forças espirituais que, no campo experimental dos animais, realizam as alterações devidas, muitas das quais serão transmitidas aos perispíritos humanos, futuramente.

É assim que são recebidas as "almas" animais por Espíritos sábios, procedendo-se ao amplo estudo de seus comportamentos celulares, propondo-se as mutações genéticas necessárias, as quais quando inscritas nos genes perispirituais modeladores dos genes corporais densos, darão lugar à especialização dos seres (mutações genéticas corporais).

Veja-se, a propósito, algumas linhas, ainda que superficiais, da matéria em questão, em Evolução em dois mundos, de André Luiz/Francisco Cândido Xavier, sobretudo o capítulo 5.

Aquela mencionada individualidade só ocorre em uma fase específica da evolução do princípio inteligente, na fase hominídea, onde se emancipa intelectualmente dos instrutores espirituais, ganhando a denominação de Espírito. Neste sentido, mesmo entre os animais, percebe-se uma certa "diversidade" evolutiva. Há animais mais evoluídos que outros.

E há, também, aqueles que se comportam apenas em coletividades (algo que os hindus identificam como almas-grupo), não possuindo, ainda, uma chamada identidade emocional individual, como alguns insetos (cupins, abelhas, formigas, etc.).

Neste estudo generalizado, há espaço para abordarmos as mais freqüentes curiosidades dos espíritas quanto à essência da alma dos animais:

1) Afeição entre animais e pessoas da casa (família): os animais (sobretudo, os domésticos) são seres extremamente sensíveis. Qualquer mudança de comportamento das pessoas é por eles percebida. Desta forma, percebem com muita clareza e especificidade quando a pessoa está doente ou, mesmo, até para desencarnar.

2) Mediunidade dos animais: Erasto, em O livro dos médiuns (OLM), capítulo 22, item 236, faz diversos comentários a respeito da capacidade dos animais em perceberem a presença de Espíritos. Sensitividade.

Em termos mediúnicos, podemos destacar as seguintes três circunstâncias:

1) Manifestações inteligentes (OLM, 2a parte, cap. 3) - os efeitos inteligentes são o que o Espírito produz, utilizando-se dos elementos existentes no cérebro do médium. A ligação é mente-a-mente e o médium, como o próprio nome sugere, é intermediário. Logo, o animal não pode participar do processo como médium de uma manifestação inteligente, até pela precariedade do meio (seu cérebro);

2) Manifestações de efeitos físicos (OLM, cap. 2) - o médium atua como colaborador no processo (fenômeno) doando fluidos que, combinados com o fluido do agente (Espírito desencarnado, em geral), satura a matéria-objeto do fenômeno. Neste caso, em determinadas circunstâncias pode-se admitir a atuação de animais como doadores de fluidos na produção de tais manifestações;

3) Animais médiuns? - na condição de médiuns sensitivos, os animais podem perfeitamente perceber a presença de espíritos, embora não sejam médiuns, na exata acepção do termo.

3) A saudade dos animais domésticos que desencarnaram: guardamos afeição, simpatia, carinho e, mesmo, amor, em relação aos animais com quem convivemos. Natural, então, aspirar que, brevemente, possamos conviver novamente com aqueles animais que morreram. Há, na literatura espírita o caso Don Pedrito, um cãozinho que pertenceu a Chico Xavier.

O pobre animal morreu atropelado e, algum tempo depois, Emmanuel chamou-lhe a atenção dizendo: - "Don Pedrito está voltando para você!" Chico, emocionando, tomou o cachorro nos braços e passou a chamá-lo de briquinho, animal que passou a ser citado como personagem em diversos de seus livros.

4) A razão das doenças, dores e sofrimentos dos animais: possuindo corpo físico, os animais podem vivenciar as dores físicas. A propósito do tema, Emmanuel, em uma belíssima página denominada Animais e Sofrimento, preleciona:

"Ninguém sofre de um modo ou de outro tão-somente para resgatar o preço de uma coisa. Sofre-se, também, angariando os recursos preciosos para obtê-la. Assim é que o animal atravessa longas eras para instruir-se. O animal igualmente para atingir a auréola da razão, deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-lo na posse definitiva do raciocínio.

Dor física no animal é passaporte para mais amplos recursos nos domínios da evolução." Se não há, neles, a mesma significação da dor humana, pelo menos há a referência expressa de que as dores têm uma fundamental importância para o processo evolutivo do ser espiritual, ainda que nesta fase preliminar, de alma.

Ademais, as diferenças de sofrimentos entre os distintos animais resulta do próprio processo de individualização, onde alguns animais, ao experimentarem determinadas vivências, apressam seu ingresso na fase de contextura espiritual plena (homens).

O reflexo imposto pelas condicionantes materiais, nos diferentes lugares onde os mesmos se acham sujeitos, constitui elemento fundamental para as experiências genéticas "espirituais". Cunha-se, então, um novo termo, dissonante de "sofrimentos": oportunidades (de aprendizado).

5) Existência de animais no Plano Espiritual: Há variados casos de animais presentes na literatura mediúnica. André Luiz, inclusive, em Nosso Lar, fala de cães puxando uma espécie de trenó. Hermínio Correa de Miranda (Diálogo com as sombras) se refere ao dirigente das trevas identificando-o como um ser montado em animais.

Irvenia Prada, autora de um belo e recente livro, A questão espiritual dos animais, descreve um caso em que a estratégia utilizada pelos Espíritos Socorristas para fazer um espírito muito magoado despertar na espiritualidade.

6) Aparições espirituais na "forma" de animais: Há inúmeros relatos de "entidades" que aparecem (materialização ou vidência) como animais, alguns grotescos, de aparência selvagem, ofensiva, provocando pânico e pavor.

Trata-se, em grande maioria, da utilização espiritual do "formato" de animais desse teor, apenas para incutir medo nos homens, visando sugar o fluido vital ou subjugá-los. Todavia, como ilustram diversas obras espíritas, em circunstâncias especiais (tudo tem seu motivo e fundamento) animais podem ser materializados ou, mesmo, constituirem-se em objeto de aparições (Os animais têm alma?, de Ernesto Bozzano, é um excelente exemplo neste sentido).

Eis as considerações preliminares que gostaríamos de fazer sobre a temática. Remetemos, outrossim, os leitores para outras considerações e entendimentos, compulsando, entre outras, as obras citadas neste ensaio. Esperamos, ainda, que as linhas aqui esboçadas possam efetivamente propiciar uma melhora nas relações entre homens e animais, lídimos parceiros neste Universo em constante construção.

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