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terça-feira, abril 13, 2010

Outro você - Veríssimo

Me dizem que rola um texto na Internet com minha assinatura baixando o pau no "Big Brother Brasil". Não fui eu que escrevi. Não poderia escrever nada sobre, a favor ou contra, porque sou um dos três ou quatro brasileiros que nunca o acompanharam.

O pouco que vi do programa, de passagem, zapeando entre canais, só me deixou perplexo: o que, afinal, atraía tanto as pessoas - além do voyeurismo natural da espécie - uma jaula de gente em exibição? Falha minha, sem dúvida.

Se prestasse mais atenção talvez descobrisse o valor sociológico que, como já ouvi dizerem, redime o programa e explica seu fascínio. Pode ser. Os "BBB" e similares fazem sucesso no mundo todo. Provavelmente eu e os outros resistentes apenas não pegamos o espírito da coisa.

Também me dizem que, além de textos meus que nunca escrevi (como textos igualmente apócrifos do Jabor, da Martha Medeiros e até do Jorge Borges), agora frequento a internet como um Twitter. Aviso: não tenho, tuiter, não recebo tuiter, não sei o que é tuiter. E desautorizo qualquer frase de tuiter atribuída a mim a não ser que ela seja absolutamente genial. Brincadeira, mas já fui obrigado a aceitar a autoria de mais de um texto apócrifo (e agradecer o elogio) para não causar desgosto, ou até revolta.

Como a daquela senhora que reagiu como indignação quando eu inventei de dizer que um texto que ela lera não era meu: - é sim. Não, eu acho que... É sim senhor. Concordei que era, para não apanhar. O curioso e assustador, é que, em textos de outros com sua assinatura e em tuiters falsos, você passa a ter uma vida paralela dentro das fronteiras infinitas da internet.

É outro você, um fantasma eletrônico com opiniões próprias, muitas vezesantagônicas, sobre o qual você não tem nenhum controle, olha - adorei o que você escreveu sobre o BBB. É isso aí!

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