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terça-feira, abril 20, 2010

Para cientistas, efeito nocivo das estatinas não compensa indicação

Médicos criticam uso de redutor de colesterol por pessoas saudáveis -Duff Wilson

Com a bênção do governo dos EUA, um gigante da indústria farmacêutica, o AtraZeneca, está prestes a aumentar a venda de um de seus blockbusters para baixar colesterol, o Crestor, uma estatina. O órgão que controla drogas e alimentos (o FDA) aprovou sua prescrição para pessoas sem problemas de acúmulo de gorduras no sangue, a título de prevenção. E especialistas questionam se esta é uma medida saudável.

As estatinas estão entre as drogas mais vendidas, mas um de seus efeitos é o aumento do risco de diabetes tipo 2 em 9% dos casos.

- É uma coisa boa para ser cético: saber se pode haver dano a longo prazo em pessoas saudáveis que tomam esse tipo de droga - disse Mark A. Hlatky, pesquisador na Universidade de Stanford.

Um novo critério para indicar o Crestor (segundo mais vendido depois do Lipitor, da Pfizer) é a inflamação das artérias, medida no teste de alta sensibilidade à proteína C-reativa. Porém não há consenso na comunidade médica de que a inflamação é causa direta de problemas cardiovasculares.

O AstraZeneca já planeja nova campanha publicitária para o Crestor. E com base nas novas indicações, estima-se que 6,5 milhões de americanos que não têm problemas de colesterol e sinal de problemas cardíacos serão considerados candidatos a tomar estatinas.

A bula do novo Crestor diz que o medicamento pode ser receitado para as pessoas aparentemente saudáveis, se forem mais velhos - homens acima de 50 anos e mulheres com mais de 60 - e com um fator de risco como hábito de fumar ou hipertensão, além de inflamação nas artérias.

Alguns usuários de estatinas reclamam de dor muscular e os médicos examinam periodicamente os pacientes para se certificar de que as enzimas hepáticas não estão altas. Porém acham que esses riscos são compensados pelos benefícios dessas drogas. Agora há evidências, como estudo na revista médica "Lancet", ligando as estatinas a uma maior chance de diabetes.

O FDA reconheceu esse risco e disse à AstraZeneca para adicionar a informação à bula do Crestor. Mesmo assim, aprovou o novo uso. Segundo Eric Colman, um vice-diretor do FDA, "a decisão é uma opção, não uma obrigação para os médicos e pacientes".

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