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segunda-feira, abril 12, 2010

Resolvi experimentar uma série de pequenas oficinas para quem quer começar a escrever ficção em sua própria casa.

Oficina criativa

por Emilia Ferraz

Domingo passado fui pela primeira vez conferir uma oficina de escrita criativa. Sempre adorei escrever e leio bastante. Leio até bula de remédio como aconselhava meu professor de direito constitucional, mas nunca tinha estado numa oficina especializada em narrativa para ficção.

Aqui em Londres elas existem por todos os lados e talvez seja este o problema: sempre que ouvia o feedback de amigos desanimava, poucos tiravam algo útil da experiência, sem saber escolher a mais apropriada. Como separar o trigo do joio dentre as milhares de opções?

A resposta foi deixar o Twitter escolher por mim. Há alguns meses ando seguindo uma autora de livros e jornalista freqüentadora de ópera, ballet e música clássica (@jessicaduchen). Então logo vi que além de Twitter e da escrita já tínhamos várias coisas em comum.

Alguns meses depois fiquei sabendo que ela tinha resolvido começar uma série de pequenas oficinas para quem quer começar a escrever ficção em sua própria casa. Segundo ela grupos pequenos são a solução para quem tem medo de se expor via palavra escrita. Não poderia ser de todo má experiência, na pior das hipóteses conversaríamos sobre as artes liricas.

Ao que parece Jessica estava certa. Logo no início ao descrevermos nossas dificuldades com a escrita narrativa um elemento em comum que surgiu entre todos os participantes era literalmente o medo de falar besteira. Mas logo a autora nos estava passando os exercícios mais inusitados: andar pelas ruas do bairro sob o ponto de vista de um personagem completamente atípico, o meu por exemplo era um periquito verde, retornar e trabalhar alguns parágrafos sobre o personagem.

Este simples exercício de cara nos abriu os olhos sobre o processo de pesquisa quando se cria um personagem de ficção. Como será o olhar de um periquito sobre as coisas? Como reagiria ele ao terrível inverno que estamos passando em Londres esse ano com temperaturas polares e as mais altas contas de aquecimento central nos últimos dez anos? Por que estaria ele sobrevoando um subúrbio londrino onde as árvores desprovidas de folhas parecem tão tristes? O que faria enquanto a primavera não chega?

Comecei a simpatizar com a pobre criatura e isso me fez entender que se não visualizarmos os nossos personagens e suas motivações e dúvidas existenciais não tem como eles parecerem verdadeiros, nem mesmo quando se trata de pequenos e insignificantes animais.

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