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quarta-feira, abril 14, 2010

TELEVISÃO E CARRO ESTIMULAM SEDENTARISMO

EXPANSÃO DOS ITENS DE COSUMO CONTRINUI PARA DIMINUIR PRÁTICA DE EXERCÍCIOS - ANTÔNIO MARINHO E RENATO GRANDELLE

Nos últimos 20 anos, TV, telefone e automóvel dobraram sua presença em lares brasileiros. É, claro, uma boa notícia - sinal de que a população está enriquecendo. mas, para o professor de endocrinologista da PUC/RIO Wlamir Coutinho, esses itens de conforto também desestimulam a prática de exercícios físicos. O fenômeno, visto décadas antes nos EUA e na Europa, chegou recentemente ao Brasil. O resultado é uma juventude com índices incontestáveis de sedentarismo.

Segundo artigo publicdo na revista "Motriz", da Universidade Estadual Paulista, quase metade dos estudantes não tem aulas regulares de Educação Física e, o índice de sedentarismo entre adolescentes é de 85% (homens) e de 94% (mulheres). Para piorar a situação, a prática de exercícios diminui com a transição à fase adulta.

O combate ao sobrepeso, de acordo com Coutinho, deve ser feito em três fronts. Um deles, talvez aquele em que os trabalhos estejam mais avançados, é a escola. Há diversas intervenções bem-sucedidas que promovem a alimentação saudável, como remoção de máquinas de doces e refrigerantes nos colégios e estímulo à atividade física. Há, no entanto, resistência a essas medidas:

- Nas escolas brasileiras, as aulas de Educação Física são aplicadas, em média, duas vezes por semana. Deveria ser cinco - critica. Outro problema é que os colégios particulares conseguem liminares que os desobrigam a cumprir uma lei que proíbe a venda de guloseimas nesses ambientes.

A família também precisa dar exemplo. E seu envolvimento é fundamental, como demonstrou uma pesquisa realizada recentemente em Israel. O levantamento dividiu as crianças obesas em dois grupos: um com tratamento tradicional (onde havia consultas mensais com nutricionistas) e outro experimental (em ambos os pais acompanhavam os trabalhos). O segundo grupo conseguiu resultados mais concretos.

- Não existe uma geração saúde. Nunca existiu - ressalta Coutinho.

- Os jovens de hoje que são realmente saudáveis representam uma parcela pequena, embora tenham grande visibilidade, por serem de uma camada de renda mais alta. Trata-se do único estrato social em que a obesidade dimumuiu.

Além da família e da escola, há um fator menos conhecido contribuindo para que cada vez mais crianças estejam acima do peso: o ambiente urbano. A feição atual das cidades segundo Coutinho, não estimula a prática de exercícios físicos.

- Hoje, adota-se cada vez mais um modelo horizontal de crescimento, em vez de vertical. É o que aconteceu na Barra da Tijuca a partir dos anos 70 - compara. Todos acreditavam que seria um bairro perfeito para a promoção de uma vida saúde, mas não é o que acontece. É preciso pegar o carro para tudo. O ideal é um ambiente que estimule os exercícios ao ar livre, o que é isso, por exemplo, pela presença de ciclovias.

Na opinião de especialistas, a reeducação alimentar não visa apenas ao controle da obesidade. Uma criança pode ser magra e comer mal, o que também implica sérios danos à saúde, alerta a médica Vivian Ellinger. Por exemplo, uma caixinha de achocolatado, apesar de doce, tem 40% da dose diária de sódio recomendada para um adulto.

É preciso ler os rótulos com atenção:

- Produtos industrializados contêm poucos nutrientes e muito aditivos. Os pais devem evitá-los. Eles esquecem que, dependendo da dieta, o colesterol e a pressão arterial começam a aumentar já na infância.

Na Inglaterra, uma em cada quatro crianças de até cinco anos é obesa. Nos EUA, esta taxa é de uma em cada três crianças, mesmo o país gastando anualmente US$ 150 bi no tratamento de males relacionados à obesidade.

O problema é tão sério que a primeira-dama americana, Michelle Obama, lidera a campanha Let´s Move ("vamos nos mover") para aumentar o valor nutritivo de refeições escolares e melhorar o acesso a alimentos saudáveis em áreas mais pobres. Ela pediu que todos os setores da sociedade apoiem a campanha, que incentivará os pais a matricularem seus filhos em atividades extracurriculares. E o Brasil deveria seguir o exemplo.

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