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domingo, abril 11, 2010

TEMA EM DISCUSSÃO: A ECONOMIA SOB FH E LULA

DENOMINADORES COMUNS - NOSSA OPINIÃO: JORNAL O GLOBO

A economia brasileira reúne hoje condições para um ciclo virtuoso nos próximos anos. Não existe garantia absoluta quanto a essa trajetória, pois basta que o país caia novamente na tentação do populismo, com decisões equivocadas e demagógicas e voltaremos a uma situação de risco.

Vários fatores contribuem positivamente para esse possível ciclo virtuoso, sustentado. A redução nas taxas de expansão demográfica criou o que os especialistas chamam de bônus, pois nos vinte anos que advirão a base da pirâmide populacional se estreitará, atenuando pressões sociais, além de permitir que o Brasil invista na melhoria de qualidade de educação, dos serviços de saúde, da preparação para o mercado de rtabalho, etc.

Na economia propriamente dita, os fundamentos são promissores. O Brasil faz parte do seleto grupo de nações com grau de avaliação de risco, já com perspectiva positiva em algumas delas. Desde 1999 as exportações brasileiras praticamente triplicaram, o que facilitou a acumulação, pelo Banco Central, de reservas suficientes para amortização de dívidas onerosas em moeda estrangeira.

O endividamento externo perdeu importância relativa, até porque os empréstimos deixaram de ser a principal fonte de financiamento no exterior, sendo substituídos por operações mais ágeis no mercado de capitais e por investimentos direots. Simultaneamente, empresas brasileiras vêm incrementando investimentos lá fora, o que, a médio prazo, resultará em mais equilíbrio nas remessas e recebimentos de lucros e dividendos em outras moedas.

Esse quadro não seria o mesmo se o Plano Real tivesse fracassado. A inflação aguda encurtava os horizontes de negócios e ocultava ineficências, especialmente no setor público. A estabilidade monetária trouxe à tona a dura realidade das finanças governamentais. Foram necessários muitos anos para a recomposição dessas finanças, não só com medidas saneadoras pontuais, mas, principalmente, com um arcabouço institucional que estabeleceu limites para endividamento e gastos com pessoal (Lei de Responsabilidade Fiscal).

O ajuste nas finanças públicas foi acompanhado por um processo de privatização, cujo balanço, passados mais de dez anos, é positivo. Além de desobrigar os cofres públicos de responsabilidades não cumpridas por falta de capacidade de investimento, a privatização domentou um ambiente de ccompetição em segmentos antes dominados por ultrapassados monopólios estatais. Novos grupos de investidores se formaram, favorecendo o desenvolvimento do mercado de capitais.

Embora eleitos por partidos diferentes, com posições políticas distintas, há muitos denominadores em comum nas diretrizes econômicas dos presidentes FHC e Lula, que foram essenciais para o Brasil, nesses 16 anos, sair da beira do abismo para um ciclo de crescimento sustentável. O regime de metas de inflação forçou os governantes a terem compromissos com a estabilidademonetária. O câmbio flutuante dificultou a adoção de artificialismos em um campo tão sensível da política econômica. E a manutenção de superávits primários reduziu déficits nominais e a relação dívida pública/ Produto Interno bruto, liberando poupanças privadas para investimentos.

Esse legado ficará para o próximo governo, que não poderá desprezá-lo. E o círculo virtuoso dependerá de decisões suas em áreas-chave como política fiscal.

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