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segunda-feira, abril 12, 2010

"Viver a Vida" coloca em evidência rivalidade entre irmãos

TV Globo

Irmãos gêmeos rivais
são retratados na novela Viver a Vida

Isabel, interpretada por Adriana Birolli na novela global Viver a Vida, não faz questão alguma de ser simpática. Mas costuma passar dos limites da arrogância e crueldade quando o assunto em questão são as irmãs Luciana (Alinne Moraes), que julga ser a queridinha da família, e Mia (Paloma Bernardi). Já levou até um surra da mãe, Tereza (Lilia Cabral), por conta disso.

Fora das telinhas, a rivalidade entre irmãos também existe, claro que não necessariamente acima da faixa do tolerável, como acontece na trama de Manoel Carlos. Entre os principais motivos estão ciúme e a necessidade de conquistar o carinho e a atenção dos pais. A intérprete de Isabel acredita que as confusões que a personagem apronta tem essa motivação. "Acho que ela sente falta de atenção na família. A maneira que ela tem de chamar a atenção."

Segundo o psicólogo e psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC)/SP, conflitos são normais. "Te-los não é problema. O importante é aprender a lidar com eles na infância, conversar sobre as diferenças e saber ouvir. Isso ajuda a lidar com os problemas no futuro."

Tudo pode virar motivo de briga, até mesmo coisas fúteis, como a posse do controle remoto da televisão ou de um brinquedo. Os gêmeos do folhetim das nove, vividos por Mateus Solano, que o digam. Sempre acham um motivo para discutir. Ultimamente, Jorge tem saído do sério devido ao ciúme que sente da proximidade de Miguel e de sua amada, a Luciana.

Limites

Ok, é comum briguinhas entre os filhos, mas há limites. Qual é a forma de saber quando os extrapolou? Analisando a intensidade e a dimensão. Se a violência imperar, não houver mais respeito, um fizer de tudo para prejudicar o outro, é porque a situação fugiu de controle.

Os pais podem tentar contornar o fato e, talvez, precisem da ajuda de um profissional. Vale apostar no orientador da escola dos pequenos e em psicólogos.

Dicas

Muitas vezes, é a própria família que incita a competição entre a garotada, mesmo sem perceber. Quando a mãe ou o pai pergunta "por que não é tão organizado como o irmão?", por exemplo, acaba colocando mais "lenha na fogueira" em vez de incentivar a criança a melhorar esse aspecto.

"Embora sejam irmãos, o fato é que as pessoas são diferentes, mesmo quando educadas no mesmo ambiente. Essa diversidade tem de ser respeitada por quem cuida", afirmou Pereira. "As rivalidades às vezes aparecem porque são diferentes e isso não é respeitado, e alguns pais acabam valorizando só um dos filhos."

Casos de comparação podem levar a problemas, que algumas vezes interferem atE mesmo na vida adulta. Entre eles esto insegurança, baixa autoestima e timidez, como listou a psicoterapeuta Maura de Albanesi. Não existe uma fórmula mágica que elimine a possibilidade de atritos, mas algumas dicas simples de convivência podem reduzi-la, segundo Pereira e Maura. Confira:

1) Não compare as atitudes dos filhos;

2) Nunca mostre preferência por um deles;

3) Dentro do possível, distribua sua atenção de forma homogênea entre as crianças;

4) Se não sabe quem é o culpado pela briga, nem pense em tomar partido. Converse com os dois de maneira que entendam seus argumentos e os deixe falar também;

5) Caso um dos pequenos esteja batendo no outro, diga que não gosta quando faz isso, deixando claro que o motivo da bronca não é falta de amor por ele;

6) Antes do nascimento do próximo filho, explique para o outro que o ama e que a nova criança vai ser tão importante quanto ele;

7) Quando notar que precisa comprar tênis para uma das crianças, por exemplo, explique para outra que ela já tem o seu e o irmão estava precisando. Não é obrigada a dar para todos.

Irmãs

As garotas podem ser tão competitivas quanto os meninos durante a infância e adolescência. Mas é mais comum que se tornem companheiras quando amadurecem. "Começam com discussões sobre Barbies e namorados. Mas, quando as fichas caem, ninguém no mundo vai lutar a seu favor e perdoá-la como uma irmã pode", escreveu Luisa Dillner, autora do livro The Complete Book of Sisters (em tradução livre, O Livro Completo das Irmãs), no jornal Daily Mail.

Muitas famosas não desgrudam de suas irmãs e algumas tem as carreiras administradas por elas. Patrícia Bundchen, gêmea da top Gisele Bundchen, é um exemplo disso. A assessora de imprensa de Sabrina Sato e sua irmã, Karina Sato. A atriz de Hollywood Sienna Miller, por sua vez, lançou com a irmã, Savannah, a grife Twenty8Twelve.

O psicólogo Pereira analisou que essa amizade mais frequente pode ter alguma relação com a forma que as mulheres costumam ser educadas. De acordo com ele, são ensinadas a compartilhar seus problemas, enquanto os homens incentivados a serem mais duros e fechados.

Ordem

A ordem de nascimento pode determinar as principais diferenças entre os filhos, segundo um estudo da antropossofia (estudo da natureza humana sob o aspecto da moral) citado pela psicoterapeuta Maura. Normalmente, o primeiro é mais ligado a família, o segundo não toma partido e, o terceiro, futurista.

"Essa é a constelação familiar e diz que cada um tem sua função dentro da casa. O quarto filho geralmente apresenta características parecidas com as do primeiro, o quinto com as do segundo, e assim sucessivamente."

A profissional afirma que o primogenito tende a ser mais ciumento, mas não é uma regra, já que depende de cada pessoa. O que ele envolve toda a expectativa do novo, tornando-se o "reizinho" da casa. Quando o bebê nasce, a tendência é pensar que não seja bom o suficiente ou que não gostam mais dele.

Especial para Terra

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