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sábado, maio 29, 2010

Famílias mostram que, quando há amor, situações incomuns não são barreira para adoções bem-sucedidas

Os pais que escolheram seus filhos - Taís Mendes

O primeiro caso de um casal homossexual a conseguir a adoção de uma criança, em novembro de 2006, em São Paulo, abriu as portas para muitos outros que buscavam a realização do sonho de ter filhos. Juntos há 5 anos, o professor André Luiz Souza, de 36 anos, e o aposentado Carlos Marques, de 57, adotaram duas irmãs e romperam barreiras. A adoção de duas meninas é vista por eles como um exemplo:

- Nossa preocupação é mostrar que casal homoafetivo pode adotar e cuidar muito bem de crianças - disse Carlos, listando as atividades de Vanessa, de 6 e Valesca, de 8 anos. Elas fazem natação, capoeira e balé, além da escola, claro.

As meninas faziam parte de um grupo de cinco irmãos, abrigados após denuncias de maus-tratos da família biológiva. Os dois mais velhos foram adotados por uma família e o mais novo por outra.

- A juíza separou o grupo, apesar de não ser o ideal. Mas quem iria adotar cinco irmãos? Mas procuramos manter o convívio dos irmãos, contou Carlos.

A dupla frequentou grupos de apoio por um mês, até conhecer as meninas num abrigo em Vila Valqueire. Fomos ver e, no meio de 15 crianças, nos apaixonamos por elas. Saí de lá aos prantos e disse no carro: deixei minhas filhas lá - contou André, que um mês depois já tinha conquistado na Justiça a guarda provisória das meninas. Nove meses depois saiu a habilitação definitiva.

Lúcia Carvalho, de 48 anos, também venceu obstáculos e, mesmo antes da existência do Cadastro Nacional de Adoção - CNA - encontrou Paula, com 4 anos, em janeiro de 2007, em Rodon no Pará. Servidora da Camara Municipal do Rio, se apaixonou pela menina só de ouvir sua voz. Hoje, com 8 anos, a falante Paula tem na ponta da lingua seus desejos: - quero ser cantora, igual a Ivete sangalo. Meu sonho também é conhecer a Xuxa.

Lúcia conta que, após relacionamentos que nao deram certo, resolveu adotar um filho. Com a habilitação nas mãos, enviou cópias de seu processo para amigos em outros estados.

- Meu perfil era menina, até 2 anos, independentemente de raça. Um casal amigo, em Belém, me falou sobre uma menina em um abrigo, mas que ele estava fora do perfil. Liguei pra lá e a Paulinha cantou para mim no telefone.

Me apaixonei pela voz e, no dia seguinte enviei, todos os documentos para a adoção sem sequer ver a foto dela. Fui ver minha filha pela primeira vez dez minutos antes da audiência com o juiz. As condições de saúde da menina, retirada aos 2 anos da beira da rodovia onde perambulava com o pai embriagado, eram ruins. Ela saiu do abrigo com oito dentes comprometidos e com verminoses.

O casal Andréa e Jeferson Pereira já tinha um filho, de 5 anos, Mateus, quando resolveu adotar o segundo. Uma criança especial não estava nos planos, mas ao verem Maria Eduarda, na época com 3 anos, com paralisia cerebral, a paixão foi à primeira vista. A pequena foi levada para o abrigo após denuncias de maus-tratos.

- Ela não andava e nem falava. Eu queria um bebê branco e saudável. Já tinhamos decidido até o nome, Maria Eduarda. Quando soube que o nome da menina era o mesmo, fiquei emocionada. E quando fui no abrigo visitá-la, me apaixonei. Ele, que é advogado, conta que ficou preocupado com a responsabilidade e com os gastos que uma criança especial representaria:

- quando conheci, também não resisti. E se ela não fosse adotada por nós, seria encaminhada para adoção internacional, porque já estava um ano e meio no abrigo, na Taquara. Após o processo detalhado, em 180 dias o casal conseguiu a adoção.

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