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sábado, maio 29, 2010

Rede de cinema pretende abrir mais de 100 salas até 2011

Cinemark agora planeja crescer nas cidades médias

Tatiana Vaz, de EXAME.com

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Marcelo Bertini, da Cinemark:
entrada da Cinépolis no Brasil não assusta a rede

São Paulo - Desde que desembarcou no Brasil, em 1997, a rede americana Cinemark apostou nos grandes centros urbanos para conquistar a liderança do mercado local de cinema. Atualmente, a companhia opera 428 salas em 52 complexos distribuídos em shopping centers de 28 cidades. Somente no ano passado, seus filmes foram assistidos por 32 milhões de pessoas. De acordo com a consultoria ACNielsen, o Cinemark detém 33% do setor.

Agora, a rede planeja investir em cidades de médio porte, com 250.000 a 300.000 habitantes. Até 2011, a companhia deseja abrir mais de 100 salas. No caminho da expansão, porém, estão desafios como a chegada de uma nova rede ao Brasil - a Mexicana Cinépolis, que deve iniciar suas operações em julho.

Em entrevista exclusiva à EXAME.com, o presidente do Cinemark do Brasil, Marcelo Bertini, conta quais são os planos para manter a liderança. Veja, a seguir, os principais trechos:

EXAME - Como vocês encaram a entrada da Cinépolis no Brasil, prevista para julho?

Marcelo Bertini - Para o mercado, ter mais um player é sempre bom. Incentiva todos os outros competidores a inovar e melhorar. Mas não foi por conta de concorrência que começamos a oferecer salas de cinema VIP ou em três dimensões. Inovamos pensando nos clientes, e acredito que eles reconhecem isso. Nossa liderança no mercado é prova disso.

EXAME – Vocês já concorrem com a Americana UCI. Não há receio dos efeitos de um terceiro competidor dividindo o mercado?

Bertini – Não é apenas a concorrência com a UCI que é forte. Temos muitos concorrentes regionais e nacionais no país. Muitos operadores de cinema nacionais, por sinal, são bastante fortes nas regiões que atuam. Não creio que o Cinépolis trará muitas novidades em relação aos modelos de negócios que temos por aqui.

EXAME - No México, eles lideram o setor, com um modelo de ingressos baratos e ofertas de diversos tipos de comidas dentro dos complexos de cinema...

Bertini - É um mercado completamente diferente do nosso. Enquanto eles têm 100 milhões de pessoas e 4.000 salas, nós temos 2.200 salas no Brasil. Não faço idéia de que tipo de estratégia eles adotarão por aqui, mas sei que seguiremos com a nossa formula. Ela tem dado muito certo até agora.

EXAME - A estratégia do Cinemark é focada em acompanhar a abertura de shoppings em grandes cidades. Não há intenção de crescer de outra maneira?

Bertini - Nossa estratégia se baseia em abrir cinemas em shoppings. É o mesmo modelo do mercado americano. No Brasil, algo diferente nem seria viável, devido aos altos custos de terrenos nos grandes centros urbanos. Tentamos, uma vez, reconstruir um complexo pequeno de cinema no centro velho da capital paulista, mas não deu certo. Foi muito caro.

Abrir salas de cinema em shoppings, para nós, é muito vantajoso, pois dividimos o custo da estrutura, da segurança e garantimos uma boa clientela proveniente das visitas às lojas. Além do mais, nosso negócio é cíclico: muito bom de sexta à domingo e de quarta-feira. Se fôssemos investir sozinhos, os custos de manutenção do espaço nos renderiam margens pequenas de rentabilidade.

EXAME - Há um gargalo de crescimento no setor de shoppings. Não há a preocupação de depender menos da expansão desse segmento?

Bertini - Isso ainda não nos parece uma preocupação. Até 2011, a nossa pretensão é abrir mais 100 salas pelo país. O objetivo é baseado na estimativa de que mais 70 shoppings centers serão abertos nos próximos três anos.

Isso significa que mais 350 salas estarão disponíveis até lá. Teremos oportunidade de expandir nosso negócio em 20% junto do mercado de shoppings. Acredito que isso é completamente plausível dentro do crescimento que apresentamos nos últimos anos.

EXAME - As novas salas serão abertas apenas em grandes cidades, como a rede sempre fez, ou há planos para atingir municípios menores também?

Bertini - Começamos sim a investir em cidades de médio porte de todo país. Como já estamos presentes em todas as capitais, agora o objetivo é conquistar espaço em cidades de 250.000 a 350.000 habitantes. É o caso, por exemplo, das novas salas do Cinemark em Florianópolis, Canoas, Palmas e Aracaju. Ainda temos muito o que crescer em cidades com esse perfil.

EXAME - Não há nenhum plano previsto para cidades ainda menores, mesmo que seja necessário adaptar o modelo de negócios da rede?

Bertini - Por enquanto, não achamos uma fórmula economicamente viável para isso. Sabemos que há um potencial enorme de consumidores espalhados por diversos lugares do país, mas ainda não é vantajoso para nós.

EXAME - O que falta ainda para vocês começarem a investir nessas cidades?

Bertini - Para colocar em prática a idéia de investir em cidades menores, teríamos de esperar, primeiro, por um projeto de incentivo do governo. É preciso políticas específicas para agilizar, em especial, a distribuição de filmes fora dos grandes centros urbanos. Não adianta pensarmos em abrir salas em cidades muito pequenas, se também não conseguirmos receber os filmes das distribuidoras. O preço dos ingressos, nesse caso, seria ainda mais impraticável nesses lugares.

EXAME - A distribuição é o maior problema?

Bertini - Com certeza sim. A questão de distribuição precisa ser resolvida. Apenas dessa maneira é que um filme recém-lançado pode chegar em uma cidade do interior, antes de uma cópia pirateada estar disponível nas ruas.

EXAME - As pessoas, em geral, reclamam dos altos valores cobrados pelos ingressos dos cinemas. Vocês já pensaram em popularizar mais o preço?

Bertini - No fim das contas, recebemos em média o valor de oito reais por pessoa. Os ingressos variam de pouco mais de 20 reais a menos de 15 reais. Considere que mais da metade dos clientes pagam com carteiras que dão desconto nos preços, sem contar a promoção de meia entrada nos cinemas às quartas-feiras. Receber menos que esse valor por adulto pagante tornaria nosso negócio inviável.

EXAME - Mas, para atender a crescente demanda do público da classe C e D, será preciso pensar em reduzir o preço e custo, não?

Bertini - Não há como pensar nisso, mesmo porque os custos do nosso negócio são os mesmos em quase todas as salas. O que nos diferencia são os detalhes das salas, como o padrão de acabamento das poltronas. O custo do aluguel do espaço e tudo mais não mudam. Se reduzirmos o padrão de nossas salas, reduziremos também o nível de conforto que oferecemos aos clientes.

EXAME - Nos últimos tempos, o Cinemark investiu bastante em salas de cinema 3D. Como tem sido a repercussão para o negócio?

Bertini - Atualmente temos 49 salas 3D no país. É um número que deve aumentar nos próximos anos, e que se baseia nos grandes investimentos que fizemos na compra de projetores digitais, há dois anos. As projeções nesse formato têm sido muito procuradas, mas acredito que as exibições convencionais não sofreram com isso. Quando o filme é bom, ele chama a atenção do público do mesmo jeito.

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