Páginas

terça-feira, junho 15, 2010

BATE PAPO COM ARI: Até os norte-coreanos...

Por que a Seleção Brasileira encontrou dificuldade para vencer a Coréia do Norte por 2 a 1?

Para responder esta pergunta é preciso primeiramente conceituar o rigoroso esquema defensivo adotado pela maioria dos selecionados nesta Copa do Mundo, o que implica em dificuldade natural de penetração nas defesas adversárias. Taticamente essas seleções lembram o Juventus da capital paulista da década de 70, que se fechava integralmente e apostava nos contra-ataques puxados pelo velocista Ataliba.

Portanto, aqueles que definem este Mundial de nível técnico paupérrimo precisam rever conceitos. Mesmo contra adversários com relativas limitações, é preciso considerar que enfrentar adversários que sabem fazer bem as duas linhas de quatro, que se posicionam de forma que sempre haja jogadores na sobra, de fato é difícil.

O Brasil jogou mal contra os norte-coreanos? Digamos que pecou pela lentidão no primeiro tempo. Digamos que do meio de campo pra frente o Brasil depende muito da individualidade de Robinho e Kaká, e ambos foram bem marcados. Robinho até se esforçou bastante para fugir da marcação. Kaká, ainda sem ritmo de jogo, foi um peso morto no primeiro tempo, provocando - isso sim - vários contra-ataques para os norte-coreanos.

Ainda no primeiro tempo, após os 15 primeiros minutos, os norte-coreanos perceberam que podiam se soltar um pouco mais e fizeram isso. O problema deles é que os jogadores de frente têm velocidade, mas falta qualidade. E mais: o zagueiro Juan fez uma baita partida e ganhou todas no seu setor.

No segundo tempo, era natural que o Brasil fosse arriscar mais. O lateral-direito Maico fez jogadas de fundo, e numa delas bateu de três dedos, mesmo sem ângulo, no gol que teoricamente tranqüilizaria seu time.

Em desvantagem, a Coréia do Norte adiantou um pouco a marcação, e ofereceu um espaço até então não observado ao time brasileiro. E foi numa jogada em que a equipe asiática já não dispunha de um líbero que sofreu o segundo gol.

Futebol é um treco imprevisível. O técnico Dunga sabiamente já tinha mandado o polivalente Daniel Alves para o aquecimento, porque Elano só não era pior que Gilberto Silva e Felipe Mello. E vejam que Elano recebeu um passe ‘açucarado’ de Robinho e só precisou dar um ‘tapa’ na bola, tirando do goleiro adversário.

Não tivesse feito o gol, seguramente Elano receberia nota inferior a 5 da mídia. Como o gol identifica o jogador, não estranhem os afagos. Na prática, Elano já não justifica camisa neste time brasileiro, mas Dunga já avisou que ele continua ‘imexível’.

O que faltou ao Brasil? Se fez triangulações pela beirada do campo pelo lado direito, o mesmo não aconteceu no setor esquerdo. A insistência com dois volantes tipicamente de marcação e com pouca mobilidade para trabalhar a bola até o setor ofensivo precisa ser revista, principalmente contra adversários que priorizam o setor defensivo. Ramires já provou que neste caso específico é mais útil que Gilberto Silva e Felipe Mello.

Também falta ao centroavante Luís Fabiano começar a jogar. De prático, nesta terça-feira, só uma bela ‘limpada’ sobre um zagueirão, e depois colocou a bola na ‘lua’. Ele pode até ‘arrebentar’ no jogo contra a Costa do Marfim, mas desde os amistosos na África já não está merecendo esta irrestrita confiança de Dunga.

COSTA DO MARFIM

E esta Costa do Marfim que empatou sem gols com Portugal? Joga duro, às vezes até com violência, mas merece respeito. Quando se agrupa atrás, também dificulta a penetração, como fez contra Portugal. Quando o miolo de zaga não conta com a indispensável colaboração de meio-campistas que recuam, vacila.

Na projeção, se o Brasil sair na frente no confronto do próximo domingo, certamente os africanos vão se abrir e aí podem até ser goleados. Enquanto sustentarem o empate sem gols, cuidado com a velocidade deles nos contra-ataques, principalmente puxados pelo velocista Dindané e o habilidosíssimo Gervinho.

Quando a Portugal, terceiro adversário dos brasileiros, esperava-se muito mais. Bem marcado, o atacante Cristiano Ronaldo só não desapareceu totalmente do jogo porque teve um lampejo no primeiro tempo, e a bola chocou-se no poste direito em boa finalização. No segundo tempo escondeu-se na ponta-direita, e por ali também não fez nada. Portugal foi lento e totalmente previsível.

Agência Futebol Interior

Nenhum comentário:

Postar um comentário