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segunda-feira, junho 14, 2010

(continuação) Cultura Carioca é mais simples e direta

Vinte e oito profissionais foram escolhidos pelo consultor Luiz Moura para traçar o jeito carioca na gestão de pessoas. Mas outros exemplos também refletem esse espírito do Rio no trabalho. Um deles é a farm, grife de roupa feminina dos sócios Marcello Bastos e Kátia Barros. Nascida há 12 anos na extinta babilônia Feira Hype, a marca traduz em suas peças o jeito descontraído e praiano da cidade. E vai além. Do perfil das vendedoras ao ambiente da fábrica, em São Cristovão, tudo remete ao calor humano e à descontração que existe por aqui.

Relacionamento próximo com os funcionários

A fábrica eo escritório central da marca, aliás, são um capítulo à parte. Com coqueiros, redes e um cabelereiro exclusivo para as funcionárias, o local nada tem dos ambientes sisudos das linhas de produção. Ser carioca, ressalta Marcello bastos, é a premissa do negócio:

- O talento da Kátia é transformar o jeito da menina carioca em roupas. Ela diz, inclusive, que não sabe se seria uma boa estilista se trabalhasse para uma marca que não tivesse como base traduzir esse jeito de ser.

Quando inauguramos a loja no shopping Iguatemi, em São Paulo, saiu uma matéria na Vogue falando que a Farm é um oásis carioca na capital paulista. O modo como o gestor lida com os cerca de 800 funcionários da empresa traduz a proximidade que mantém com seus subordinados. Mesmo nos processos seletivos, Bastos faz questões de mostrar toda a fábrica aos candidatos.

- Faço um tour completo para que eles conheçam a nossa experiência, que é muito bacana. E mesmo que não venham a trabalhar conosco, possam aprender algo e passar adiante - conta o sócio.

Considerada uma das maiores imobiliárias de São Paulo, a Fernandez mera convidou, há três meses, o executivo carioca Eduardo Figueira para assumir a vice-presidência do grupo no Brasil. Consultor de negócios da empresa há cinco anos, o profissional diz que não há, propriamente, um jeito carioca de gerir pessoas, mas sim um comportamento próprio que ajuda (e muito) a lidar com o outro.

- É uma cultura mais direta, fácil e simples, que facilita o relacionamento com um grupo ou o processo de formar uma equipe. Em outros estados, para dar um feddback ou conversar com alguém sobre desempenho, há todo um rodeio, uma formalidade. No Rio, não é assim - garante Figueira. Diria que o carioca encurta distâncias. Com nosso jeito brincalhão, descontraímos uma situação tensa com mais facilidade, quebrando o gelo - opina o executivo, que só trabalha de terno e gravata quando estritamente necessário.

É importante adaptar o jeito de ser às necessidades

Para a consultora Marlyse matheus, da Career Center, o segredo é adaptar o jeito de ser, independentemente do local de origem, às necessidades do ambiente de trabalho:

- O seu comportamento tem um forte impacto na forma como você motiva as pessoas que estão com você. Se você está em outro estado, por exemplo, o seu time vai buscar motivação de uma forma diferente da sua; e é preciso se adaptar. Ser maleável, sem perder sua essência, facilita o relacionamento interpessoal no trabalho.

Marlyse acrescenta que o nível de aceitação de um novo estilo depende muito do local onde se está trabalhando: - é necessário mapear o perfil do ambiente e fazer uma leitura ampla do que as pessoas com quem você vai lidar gostam. E, é claro, extrair o que elas têm de melhor".

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