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sábado, junho 26, 2010

(continuação) Mesmo os muitos pequenos têm de trabalhar

Como são considerados a "sobra" da sociedade, os rest´avec ficam com o que sobra - se isso acontecer. Desta maneira, numa sociedade machista, na qual o espancamento das mulheres é quase uma questão cultural, primeiro alimentam-se os homens, depois os filhos, as mulheres e, se restar alguma comida, os rest´avec.

São eles também que fazem todo o trabalho da casa - levantam mais cedo para buscar água em alguma bica, limpam cuidam dos outros filhos, ajudam a carregar os alimentos doados. E não importa a idade. Muitas dessas crianças são dadas a outras famílias com 3, 4 anos - e já têm de trabalhar.

No Haiti, a mortalidade infantil é de 58,7 por mil nascidos vivos - no Brasil, é de 21,86. A taxa de fertilidade é de 3,72 por mulher, enquanto no Brasil é de 2,19. Os homens abandonam as mulheres facilmente e, para elas, muitas vezes não resta saída a não ser doar o filho. A cultura da violência aliás, chega até mesmo às escolas. Irmã Maria Aparecida Scatolin, uma paraense há 13 anos no haiti, conta que é comum professores baterem nos alunos. Os rest´avec apanham de chicote.

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