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sexta-feira, junho 04, 2010

O que falta para a TV digital decolar no Brasil?

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Estamos vivenciando um momento de enormes mudanças no mercado internacional em busca de novos modelos de negócios atrativos para a plataforma televisiva.

Sem dúvida grandes avanços diplomáticos estão sendo conquistados pelo governo brasileiro com a expansão de nosso padrão, evoluído a partir do japonês, por mais seis países latinoamericanos, além de estar em análise por diversas outras nações, inclusive 14 africanas. Enquanto isso, o mercado interno é criado de forma tímida com poucos modelos de televisores (e set-top boxes) com Ginga e algumas transmissões interativas sendo testadas pelas emissoras.

Nesse mesmo cenário, assistimos, nos últimos dias, ao anúncio do GoogleTV. Plataforma aparentemente não muito mais refinada tecnologicamente do que já temos hoje com AppleTV, Boxee e diversos outros. Mas então o que a torna tão interessante? O modelo de negócios proposto, sem dúvida! Algo que não é novidade pra ninguém que acompanha os mercados web e mobile nos últimos anos.

O Google simplesmente nos apresenta algo óbvio! Uma plataforma aberta, utilizando uma tecnologia em plena expansão (Android), com aplicativos desenvolvidos de forma simples por qualquer um com conhecimento técnico (crowdsourcing) e remuneração pela venda de aplicativos e/ou publicidade relevante, algo que já fazem muito bem na web.

Olhando dessa forma, nos parece algo simples, óbvio e com muito potencial de sucesso. Ainda mais se conseguirem expandir rapidamente a comercialização de set-top boxes de baixo custo. Assim reforço a pergunta: E o que falta para o padrão brasileiro de TV digital aberta e sua interatividade com o Ginga conquistar o mercado?

Será que falta divulgação para a população, redução dos custos dos set-top boxes, investimentos em transmissão e tudo mais que é sempre discursado? Digo que também são ações extremamente importantes, mas o que ainda não temos é um modelo de negócio vantajoso para todos os envolvidos.

O discurso que ignora esse ponto é cego quanto à sustentabilidade de uma tecnologia. Enquanto apenas as emissoras, os grandes fabricantes de televisores (e set-top boxes) e alguns outros poucos setores e empresas segurarem a expansão da interatividade, acreditando que dominarão o mercado com seus modelos restritivos arquitetados em velocidade de tartaruga, seremos atropelados pelos coelhos tecnológicos vindos de fora com propostas claras e simples.

O mais interessante é que vemos diariamente muitos "especialistas" questionarem a tecnologia brasileira, atribuindo a ela o atraso da interatividade na TV digital. Certamente isso não é falado por quem já desenvolveu algo para qualquer plataforma de TV. Mas, infelizmente, uma disputa puramente técnica não vai fazer nosso modelo decolar. Com isso, respondo o questionamento do título deste artigo: o que nos falta é um bom modelo de negócios!

E ainda mantendo a linha reflexiva: você, desenvolvedor independente de software, enxerga alguma forma de ter sua aplicação sendo executada em larga escala em uma TV?

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