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terça-feira, julho 27, 2010

Corregedoria volta a pedir prisão preventiva de PMs acusados de cobrar propina

Os dois PMs são acusados de receber propina para liberar o carro que atropelou o filho da atriz Cissa Guimarães, no Rio. O jovem responsável pelo atropelamento voltou à delegacia nesta segunda-feira.

Bette Lucchese e Renata Capucci Rio de Janeiro

O depoimento de Rafael Busamra, que confessou ter atropelado o filho da atriz Cissa Guimarães terminou no início da tarde, durou pouco mais de duas horas. Foi a segunda vez que ele foi ouvido pela delegada que investiga o caso. Rafael chegou e saiu da delegacia acompanhado do advogado.

A polícia investiga o pagamento de propina aos dois PMs que liberaram o carro momentos depois do atropelamento. Pelo depoimento do pai de Rafael foi feito um pagamento de mil reais.

A polícia ainda precisa esclarecer se foram os policiais que realmente fizeram a extorsão ou se foi a família Busamra que ofereceu o dinheiro. Segundo o advogado de Rafael Busamra o jovem neste novo depoimento que prestou nesta segunda-feira disse que a família foi obrigada a pagar os policiais e que sofreu inclusive ameaças.

A denúncia do pai de Rafael é uma das três queixas que teriam sido feitas por policias nos últimos dias. Na versão da família do acusado pelo atropelamento, o Siena e a patrulha da PM pararam numa rua do Leblon não monitorada por câmeras. Segundo o depoimento, eles seguiram para um posto de gasolina a um quilômetro e meio do ponto dali.

O carro foi deixado lá, enquanto Rafael Bussamra e o amigo que estava no carona entraram na patrulha da polícia e seguiram para uma rua do Jardim Botânico. Roberto Bussamra, pai de Rafael, contou que ele e o filho mais velho, Guilherme, foram instruídos a encontrar o grupo num trecho escuro e pouco movimentado, na madrugada.

Para chegar até aqui, os policiais tiveram que passar pela sede da TV Globo. As câmeras de segurança da emissora registraram imagens que podem confirmar a versão da família Bussamra. As três e vinte e sete, um Gol da polícia militar passa pela portaria.

Outra câmera registra o carro da PM contornando o quarteirão e entrando na rua. Uma terceira câmera mostra um Gol da polícia sendo seguido por um Celta prata. O carro usado por Roberto Bussamra naquela noite foi um Celta prata.

A polícia também investiga outro caso de extorsão envolvendo dois policiais militares, desta vez no subúrbio do Rio. Eles são acusados de cobrar propina para liberar um carro que não tinha a documentação em dia.

“Falou que por uns R$ 200,00 para poder liberar... Eu falei que não tinha, que só tinha R$ 30,00 e que R$ 30,00 não queria, não, R$ 30,00 não queria, não, que era esmola”, conta.

Segundo o motorista, ele se recusou a entrar na viatura porque teve medo. A vítima disse que em seguida os policiais o agrediram com socos e vários golpes no rosto. O jovem conseguiu fugir. E uma outra denúncia contra policiais também veio à tona neste fim de semana. Um vigilante disse que dois PMs pediram, na Baixada Fluminense, R$ 320 para liberar o carro dele, que estava com o IPVA atrasado. Em depoimento na delegacia ele contou não pagou a propina e teve o carro rebocado.

O comando da Polícia Militar informou que nos últimos cinco anos, 1.115 PMs foram expulsos da corporação, por envolvimento em crimes como a cobrança de propinas.

“Isso se trata de um circulo vicioso, em que as pessoas estão acostumadas a cometer irregularidades, de diferentes tipos e até mesmo crimes, porque sabem que existe uma possibilidade grande de depois negociar uma propina, para encobrir estas irregularidades, estes crimes”, explica Michel Misse, professor de sociologia – UFRJ.

A Polícia Militar informou que está apurando as denúncias de corrupção e trabalha para impedir que novos casos aconteçam. Segundo a PM, o roteiro do rastreador de satélite da patrulha que liberou Rafael Bussamra ficará pronto ainda nesta segunda-feira.

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