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sábado, julho 24, 2010

Falta de desejo sexual domina queixas de mulheres Valéria Dias - Agência USP

Climatério

No Ambulatório de Sexualidade do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), cerca de 70% das mulheres encaminhadas ao setor apresentam falta de desejo sexual.

O restante das pacientes com problemas de disfunção sexual que vão ao ambulatório apresenta vaginismo (contração dos músculos vaginais que muitas vezes impede a penetração) e dor durante a relação sexual.

De acordo com a coordenadora do ambulatório, a médica ginecologista Elsa Gay, a grande maioria dessas pacientes está no climatério, fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher. Entretanto, a médica aponta a presença de mulheres jovens que também apresentam problemas ligados às disfunções sexuais.

Problemas psicológicos

Elsa conta que em 90% dos casos o problema é psicológico e não orgânico. "Drogas como antidepressivos podem até inibir o desejo sexual", informa a especialista, acrescentando que não existe nenhuma medicação para aumentar a libido feminina que tenha sua eficácia comprovada cientificamente.

"Quando o sexo deixa de proporcionar prazer, é sinal de que algo está errado", observa a ginecologista, lembrando que muitas vezes a mulher moderna deixa as preocupações diárias interferirem no relacionamento afetivo.

"A correria, o estresse do trabalho e a preocupação com os filhos e com a casa são grandes vilões da sexualidade. Quando há crises no relacionamento, a mulher se fecha para a vida sexual", aponta.

Terapia focada na sexualidade

O tratamento é realizado por meio de terapia focada na sexualidade. Um grupo de 10 a 15 mulheres frequenta os encontros semanais, que duram entre uma hora e uma hora e meia, durante dois meses. A cada 8 semanas, um novo grupo de mulheres é formado.

A médica conta que muitas delas desconhecem o próprio corpo: não sabem, por exemplo, da importância do clitóris para a obtenção do prazer sexual. "Se a mulher se conhecer, saber como funciona, ela pode pedir ao parceiro para estimulá-la", comenta. "Existem também algumas mulheres que sentem prazer com a estimulação do clitóris, mas sentem vergonha por isso", completa.

Conhecer o próprio corpo

Para Elza, é fundamental que a mulher conheça o próprio corpo e, inclusive, se olhe no espelho. A médica explica que uma das atividades da terapia é a mulher se olhar no espelho e ver quais são os seus pontos positivos, para que valorize esses pontos, aumentando assim a auto-estima.

"Outro 'exercício' está ligado a prática de uma massagem, uma estimulação manual: "A mulher pensa que o homem só se interessa pela penetração, mas isso não é verdade. Ele também gosta de fazer coisas diferentes durante o sexo", finaliza.

O ambulatório existe há 5 anos. A equipe é formada por 3 médicos ginecologistas, além de um fisioterapeuta. O encaminhamento das pacientes é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), via Postos de Saúde e do próprio HC. Os dados apresentados fazem parte da pesquisa do médico ginecologista Theo Lerner.

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