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segunda-feira, julho 05, 2010

MUNDO DO CENSO - RECONTAGEM GERAL - CÁSSIA ALMEIDA

Mais de 150 países vão pesquisar população até 2012. América Latina vive "bônus demográfico"

A população mundial vai ser praticamente recontada entre 2010 e 2012, numa rodada de censos que se dará em 156 países mundo afora. Como os recenseadores vão às ruas a cada dez anos, o total de habitantes do planeta cresceu de 6,115 bilhões em 2000 para 6,910 bilhões este ano, pela estimativas da Divisão de População das Nações Unidas.

Até 2050, pode chegar a 10 bilhões, mantendo-se a atual taxa de fecundidade e mortalidade. Nessa empreitada demográfica, a Amperica Latina sai na frente: a sua população jovem permite aos países diminuir o contingente de dependentes formado por crianças e idosos.

O "bônus demográfico", como é chamado esse fenômeno populacional, vem acompanhado do crescimento econômico forte de países da América do Sul, como Brasil e Peru, que tem nas mãos uma população grande em idade ativa (de 15 a 65 anos). O número maior de trabalhadores no mercado, se bem aproveitado, é um estímulo à expansão econômica.

No Brasil, o ponto de partida do censo demográfico é o próximo dia 01 de agosto, quando 190 mil recenseadores e 32 mil supervisores começam a redescobrir o país. Enquanto conta cada um dos brasileiros, o Brasil estará vivendo um momento único.

Pelos cálculos do estatístico Eustáquio Diniz, professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE, essa situação - uma grande parte da população apta para trabalhar - se manterá até 2050, quando o número de dependentes começa a crescer. Este ano, 67,6% da população brasileira estão entre 15 e 65 anos:

- No início dos anos 70, um brasileiro trabalhava para sustentar mais uma pessoa. Hoje, essa razão caiu para meia pessoa.

Dois fenômenos explicam o fato de o meio da pirâmide etária brasileira - e latino-americana - estar mais gordo. O primeiro foi a queda forte na taxa de fecundidade das mulheres. A pílula e a entrada forte delas no mercado de trabalho causaram a diminuição da quantidade de filhos suficiente para a população continuar crescendo. Está em 1,8 por mulher, uma das mais baixas da América Latina. Outro fenômeno foi a queda na mortalidade infantil e dos jovens:

- Para aproveitar esse bônus, educação e emprego são fundamentais. A demografia está dando boa condição ao crescimento do país.

A crise econômica com a hiperinflação dos anos 80 e a pouca criação de empregos na década seguinte foram momentos em que esse bônus oferecido pelas características da população foi desperdiçado. Mas nem todos concordam que há bônus a ser aproveitado pelo país como a demógrafa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Ana Amélia Camarano:

- É como se houvesse uma parte da população que é a salvação e a outra, vilã. A economia brasileira cresceu muito quando tinhamos muitas crianças. Nossa História não mostra que existe esse bônus. Para ela, a onda jovem já passou e é preciso pensar no envelhecimento acelerado da população. Nesse caminho, ela crê que é importante investir na faixa mais idosa, que "está vivendo mais e em melhores condições".

- Adiar a aposentadoria, reduzir o preconceito no mercado de trabalho com os mais idosos, investir em saúde ocupacional e treinamento e qualificação. Precisamos preparar a população em idade ativa para chegar bem lá na frente.

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