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terça-feira, julho 06, 2010

POR DENTRO DO GLOBO

Unindo a cidade partida

A cidade do Rio de Janeiro já tem mais de mil favelas. É certo que qualquer morador do asfalto passe por perto menos uma delas no dia a dia. Mas, mesmo assim, a integração desses espaços com o resto da cidade deixa a desejar - e parece uma via de mão única: o morador da favela circula pela cidade inteirra , mas não é difícil achar um morador do asfalto que nunca tenha pisado numa dessas comunidades.

Pois foi com essa ideia na cabeça (e a câmera fotográfica na mão) que a equipe do Rio Show decidiu mostrar que favela e asfalto podem, sim, ser um espaço contínuo - e não mais a cidade partida da definição do jornalista Zuenir Ventura. O gancho para a reportagem? A presença de Unidades de Polícia Pacificadoras - UPPs - em algumas comunidades da cidade.

Para a tarefa, a repórter Claúdia Amorim e a fotógrafa Mônica Imbuzeiro visitaram oito favelas. E selecionaram programas como jam sessions, partidas de paintball e exposições em galerias de arte. Para montar o roteiro, contou a qualidade dos programas - além, é claro, do bom senso em relação à segurança.

Ou seja: com as ressalvas habituais do dia a dia de qualquer carioca. As próprias repórteres se surpreenderam durante a apuração.

- Estávamos andando numa viela da Babilônia, à noite, e a Mônica se deu conta de tranquilidade com que circulávamos no morro. E a atitude da polícia faz toda a diferença: discreta, como em qualquer lugar em condições normais, e não naquela pose de confronto, de arma em punho, que não é rara nas favelas.

A reportagem, a ser publicada na edição no Rio Show, mostra que a presença da polícia nas favelas, embora não seja um atestado de segurança garantida, aumentou o fluxo de cariocas do asfalto para o morro.

- Mesmo assim, ainda é mais comum encontrar turistas e gente que vem de fora para morar no país do que cariocas encarando com naturalidade circular livremente entre morro e asfalto. No Vidigal, onde não há UPP mas a conhecidasede do Nós no Morro, uma holandesa que mora em Botafogo nos contou que chega e saí de lá de mototáxi à noite sem medo.

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