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sábado, julho 31, 2010

Roberto Goldkorn/ A culpa é do orgasmo

Ao observar de perto os crimes e as atrocidades que nos chegam através da mídia, vamos perceber um ponto comum: a busca desesperada pelo prazer imediato. Com o caso “Bruno” ficamos sabendo das orgias de que participava e podemos imaginar que isso aconteça de forma generalizada sempre que fama, dinheiro e poder são acenados como isca.

Há o caso do estuprador e matador de mulheres solto pela Justiça, embora condenado há 40 anos. Ele vivia assediado pelos seus demônios interiores que lhe pediam satisfação urgente de necessidades sexuais deformadas pela insanidade.

Homens se arruínam financeira e moralmente por causa de alguns instantes de satisfação sexual. Mulheres rolam ladeira abaixo, se entregam de bandeja aos seus algozes porque eles lhes proporcionam prazeres fortes e imediatos. Desde sempre homens e mulheres se precipitaram em abismos de paixões no desespero dessa sensação indescritível e fugaz chamada ORGASMO.

Sim por trás de toda essa avalanche de paixões que nos cegam e destrambelham a nossa vidinha está ele, o deus/demônio ancestral, que move a humanidade o ORGASMO. Passa muito rápido, é intenso ou fraco, não deixa rastros, mas deixa o desejo de buscá-lo novamente.

Se foi forte e intenso, queremos de novo porque foi forte e intenso, se foi fraco e chocho, queremos tentar de novo em busca de um que seja forte e intenso.

Nada na história da Humanidade é mais antigo, mais intenso, mais mítico que o Orgasmo. Muitas culturas se dedicaram a “proibi-lo” seja fisicamente como no caso das nações africanas que ainda usam a clitoridectomia (cirurgia de extração do clitóris), quanto culturalmente quando se impõem a lei de que “mulher decente não goza”, ou não dá pistas de que o fez.

Por ser uma força tão poderosa quanto delicada, as proibições estão recaindo sobre o orgasmo feminino! E quem criou essas regras antiorgásticas? Os homens, é claro.

O Orgasmo é uma flor delicada e superefêmera, e a cultura masculina decidiu através dos séculos que se a colhesse sozinho, concentrando-se apenas no seu lado da colheita, ele seria melhor aproveitado. Por essa razão entre outras que não cabem ser examinadas aqui, a mulher recebeu o peso-pesado da repressão ao seu pedaço de fugaz paraíso.

Os místicos principalmente orientais, sempre recusando-se a ilusão do imediatismo, desenvolveram várias técnicas para controlar o incontrolável orgasmo, trazendo-o do domínio somático sensorial, para o domínio mental.

Assim foi criado o Tantra, as técnicas de Aclividade, de Carezza, Magia Sexual Chinesa (Taoista) onde a ejaculação (e consequentemente o orgasmo masculino) é retardado, ampliado e colocado a serviço da elevação espiritual, da libertação das paixões físicas e até da saúde.

Infelizmente da mesma forma que desconheço processo de anulação orgástica masculino (eunucos e fanáticos religiosos não valem aqui), também não tenho conhecimento de técnicas de magia sexual feitas exclusivamente para mulheres.

O Orgasmo é assim, poderoso motivador, assustador, ameaçador, é o pote de ouro evanescente no fim do arco-íris. O Orgasmo é parente próximo da eletricidade. Porém, ao contrário dessa, não pode ser acumulado numa pilha. Deveria ser um grande amálgama que une homens e mulheres, mas se torna cavalo de batalha, objeto de disputa e cizânia, fraturando relações entre homens e mulheres, e adubando a “guerra dos sexos”.

Compreender o papel do orgasmo como arquétipo, pode ser a chave para explicar comportamentos imediatistas da sociedade moderna. O Orgasmo como “professor” nos treina a sermos egoístas, buscar o “nosso-pirão-primeiro”, colocar a “brasa na nossa sardinha”.

As drogas, a adrenalina da aventura e do perigo, o namoro com a morte são substitutos menores do Orgasmo real. Aliás, a propósito disso não é à toa que os franceses chamavam o orgasmo de “petite morte”, a pequena morte da qual podemos voltar.

Assim estamos sempre insaciados, insatisfeitos, frustrados, porque o pico do prazer dura só alguns segundos. Passado o prazer insustentável, vem a prostração, e em seguida, já projetamos o próximo e nisso empenhamos a nossa alma.

Fonte: Vya Estelar

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