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segunda-feira, agosto 02, 2010

(continuação) pré-sal

Devido ao acidente no Golfo no México, nos EUA, até países como o Brasil deverão realizar mudanças em seus sistemas de segurança? Sim, mesmo países como o Brasil e a Noruega, que têm segurança operacional moderna, vão ter que se adaptar. Certamente será necessária a adoção de novas medidas de segurança, e a nossa fiscalização também vai aumentar.

Como o senhor responde que a ANP estaria sendo omissa no caso do acidente no Golfo do México? Não é verdade. Pelo contrário. Nós tomamos iniciativas imediatas. No dia seguinte ao acidente da BP e solicitamos relatórios de operação de todas as empresas petrolíferas que atuam no Brasil.

Diante do megavazamento de óleo da BP, o que acabou levando algumas empresas do setor a adiar novos projetos de exploração, o senhor acredita que o petróleo poderá vir a perder espaço para outras fontes energéticas no mundo? Com a decisão de suspender a exploração de petróleo na costa leste americana, os EUA estão se privando de explorar reservas de petróleo que variam entre 30 a 50 bilhões de barris de óleo. Para não se tornarem ainda mais dependentes da importação de petróleo, principalmente do Oriente Médio, acredito que os Estados Unidos vão acabar sendo obrigados a investir fortemente em combustíveis alternativos.

O senhor acredita que o temor de novos acidentes poderia colocar em risco, aqui no Brasil, a exploração do petróleo na camada do pré-sal? As energias alternativas podem tornar mais dispensável o petróleo que temos aqui. Por isso temos que correr um pouco atrás desse novo petróleo. Temos que nos adiantar para evitar que a gente fique com um mico.

Mas o Brasil não estaria indo na contramão do mundo, já que, lá fora, estão reduzindo o ritmo no lugar de acelerar a exploração do petróleo? Temos maior experiência do que eles. temos o maior número de sondas de perfuração em operação. Não vamos nos igualar a todos que estão tendo dificuldades. Esse pessoal da Europa não tem a experiência que nós temos, com exceção da Noruega. No pré-sal, por exemplo, já perfuramos 80 poços e, em nenhum deles, ocorreu acidentes. Não vamos sentar nos louros. Temos que aumentar ainda mais nossa segurança, mas sem interromper a atividade de produção.

O Senhor acredita que o custo de exploração do petróleo vai aumentar? É possível que sim, mas será um aumento pequeno, se comparado com o potencial de ganhos.

A ANP planeja aumentar a fiscalização na operação das plataformas? Certamente. No ano passado, tivemos uma média de 80 semanas com nossos engenheiros embarcados em plataformas. E o trabalho vai aumentar com a participação da certificadora internacional Bureau Veritas.

Como o Brasil não tem um programa para conter vazamentos em alto-mar, nos campos do pré-sal, o que será feito em caso de acidentes? A ANP, o Ibama e a Marina estão estudando a criação de um Plano Nacional de Contingência nas atividades exploratórias de petróleo no mar. Atualmente, somente a Petrobras faz seus próprios planos de contingência, que são exigidos pela ANP como pré-requisito para conceder a autorização de operação das plataformas.

Qual dos três órgãos será o coordenador do Plano Nacional de Contingência? A genre acha que deveria ser a Marinha. O Ministério do Meio Ambiente está fazendo os estudos para ver como será feito o plano e quem vai coordenar.

Então o Brasil não deve interromper a exploração de novos campos de petróleo, por causa do vazamento no Golfo do México? Nenhum país do mundo atingiu a área do pré-sal como o Brasil. Nós fizemos 80 poços no pré-sal. Temos que redobrar nossos cuidados e a fiscalização. E vamos tirar proveito de estarmos na frente. Não é porque os países lá fora estão passando por dificuldades, que nós, aqui no Brasil, temos que parar nossa produção.

A exploração no pós-sal também deve ser acelerada no Brasil? O Brasil não se resume ao pré-sal. Podemos estar correndo o risco de ficarmos um pouco ofuscados pelo brilho do pré-sal. O resto do Brasil não tem pré-sal, mas é preciso desenvolver áreas, como a margem equatorial brasileira, que inclui as regiões Norte e Nordeste.

Temos oportunidades nestas áreas de desenvolver pequenas e médias empresas de petróleo, como na Bacia do Parnaíba, por exemplo, na parte terrestre dos estados
do Maranhão e Piauí. O Brasil precisa aproveitar essa riqueza para melhorar as condiçõesde vida e reproduzir a desigualdade social da população local.

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