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sábado, agosto 07, 2010

No Rio, problemas em hospitais e UPAs

Pacientes e profissionais reclamam; estado diz que médicos faltam muito - Cassio Bruno e Carolina Benevides

"Qualidade no atendimento e respeito ao cidadão". A placa com o aviso no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, seria a esperança de pacientes de receber tratamento digno na rede pública de Saúde administrada pelo governo do estado. Além de conviver com a superlotação e com a falta de infraestrutura, a população sofre com a precariedade das Unidades de Pronto Atendimento - as UPAs 24 horas, modelo já adotado pelo governo federal. O projeto, criado para desafogar as emergências, não tem médicos suficientes, e doentes chegam a esperar seis horas por uma consulta.

Os problemas não são menores nos hospitais. Atualmente, o déficit é de 233 médicos, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Resultado: não é difícil encontrar pacientes em macas e pelos corredores. Faltam anestecistas, neurologistas, cardiologistas e pediatras.

Uma auditoria do Ministério da Saúde mostrou que o Estado do Rio não cumpriu a legislação que prevê a destinação de 12% da arrecadação e de transferências federais para a saúde. Proporcionalmente, o Rio teve o menor repasse do país em 2006 (2,76%) e, em 2007, ficou em antepenúltimo (6,06%). Em 2006 e 2007, o Denasus verificou que o governo do Rio deixou de investir R$ 2 bilhões na Sáude. A Secretaria de Saúde contesta e afirma que o tribunal de Contas do Estado aprovou os gastos.

As UPAs, uma das principais bandeiras do governador Sérgio Cabral, candidato à reeleição pelo PMDB, atendem de oito mil a nove mil pessoas por dia. O Rio tem 35 UPAs - sendo 15 de responsabilidade da prefeitura, mas todas sob supervisão do estado.

Na UPA de Ricardo de Albuquerque, há duas semanas, com um clínico geral, os funcionários dispensavam quem procurava o local. Em Caxias, a demora no atendimento fez com que o auxiliar de carregamento Leonardo Gastaldi, de 20 anos, discutisse com funcionários.

A namorada dele, com fortes dores no corpo, esperou seis horas: - cheguei às 10hs e pediram para aguardar. O segurança quis saber por que eu reclamava e discutimos. O antendimento é péssimo.

Para Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, as UPAs padecem dos mal de toda rede de saúde do estado: - não há médico suficiente. O paciente não sai com a consulta marcada, o que contribui para que as emergências continuem lotadas.

Vistorias realizadas este ano pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) revelaram que no Getúlio Vargas, na Panha, o déficit é de 40 médicos. No Albert Schweitzer, em Realengo, a UTI neonatal funciona com apenas 50% por falta de médicos.

Coordenador das UPAs, o major Jorge André admite os problemas, mas culpa os médicos: - temos 603 médicos em 20 UPAs. A falha é do médico que não vai ao serviço.

Sobre os hospitais da rede, Carlos Eduardo de Andrade Coelho, superintendente de Unidades Próprias da Secretaria Estadual de Saúde, diz que problemas existem: - temos dificuldades nas internações, principalmente nas UTIs. Estamos fazendo estudos para conseguir leitos em unidades particulares. E nosso principall obstáculo é ocupar essas ausências em hospitais na Zona Oeste porque os médicos não querem trabalhar na região por causa da distância do Centro do Rio.

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