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segunda-feira, novembro 29, 2010

Alemã lança livro que reúne cartas de amor de mulheres famosas

Escrita Sentimental - Graça magalhães Ruether

O que há de comum entre Marilyn Monroe, Frida Kahlo e Simone de Beauvoir? Para a escritora Petra Muller, autora do livro "Liebesbrife beruhmter Frauen" (Cartas de amor de mulheres famosas), que acaba de ser publicado na Alemanha pela editora Piper, elas tinham em comum a autoria de cartas de amor.

O livro mostra momentos poéticos e dolorosos de grandes mulheres, como a Nobel de Física Marie Curie, que em 1906 escreveu ao marido Pierre, um dia depois de ele ter morrido em um acidente: "Querido Pierre, nós fomos criados para viver um com o outro e a nossa união precisava tornar-se realidade".

Alguns exemplos são casuais e espontâneos, como o bilheteescrito em 1954 por Marilyn Monroe - em um recibo de lavanderia - ao seu segundo marido, Joe Di Maggio. Nele, a atriz pede perdão por uma briga que começara com uma cena de ciúme de Joe à famosa cena de Marilyn com o vestido branco levantado pelo vento, durante as filmagens com o diretor Billy Wilder. 

"Por favor aceite o meu pedido de desculpa e, não fique com raiva da sua baby", implora.

A carta de Marilyn é inédita: foi descoberta por Petra Muller e Rainer Wieland em um leilão do espólio de Di Maggio, morto em 1999. Ao contrário de outros ex-maridosda diva, Joe Di Maggio nunca comentou sua relação com Marilyn, mas do ponto de vista literário, bem mais ambiciosassão as linhas escritas por Martha Gellhorn ao seu amado Ernest Hemingway.

- Martha vivia como uma mulher corajosa no mundo dos correspondentes de guerra, dominado por homens. Ela fez reportagens sobre a guerra civil da Espanha, a Segunda Guerra Mundial, a libertação do campo de concentração de Dachau, entre outras.

No dia 28/06/43, Martha escreveu a Hemingway: "Eu queria ser jovem e pobre, contigo, sem ser casada. De certa forma, sempre quis me sentir como uma mulher", escreve referindo-se ao desejo de se entregar aos sentimentos. Logo em seguida, completa: "mas tenho um cérebro na minha cabeça ossuda".

Já as cartas de Frida Kahlo são tão expressivas e cheias de temperamento quanto os seus quadros. Para Diego Rivera, em julho de 1935: "Que nós ainda nos amemos, depois de ter superado tantas aventuras, de ter batido portas e brigado de forma rude". Em 1949, muda o tom: "Não vou mais falar de Diego como o meu marido, pois isso seria ridículo. Acho que ele nunca vai ser!"


Ingrid Bergman ousou nas cartas e se deu bem. Em maio de 1948, ela mandou uma cantada para Roberto Rosselini: "Prezado Sr. Rosselini, eu vi o filme "Roma, cidade aberta" e "Paisá", e gostei muito (...) Se o senhor precisar de uma atriz sueca que fala muito bem inglês, que não esqueceu o seu alemão, que não sabe se comunicar bem em francês, e que em italiano sabe apenas dizer "Ti amo", então estou a disposta a rodar um filme com o senhor".


Petra Muller decidiu fazer o livro depois de ver o filme "Sex and the city". Numa cena, Carrie lê a Mr. Big um livro de cartas de amor de homens famosos. No mundo inteirohouve uma corrida às livrarias em busca do livro, que, na verdade, não existia. Ela teve então a ideia de reunir num livro cartas de amor de homens famosos, o que aconteceu há dois anos. Para completar a obra, publicou cartas de mulheres.


- A diferença principal no estilo é que as mulheres, quando escrevem, estão sempre interessadas em consolidar a ligação - destaca a escritora, que mora em Berlim. Nas cartas da filósofa francesa Simone de Beauvoir, que vivia para a filosofia, para a literatura, para a emancipação da mulher e para Jean Paul Sartre, é mostrado o momento em que ela quase esqueceu o seu Jean Paul.


Foi em 1947, durante uma viajem aos Estados Unidos, quando conheceu Nelson Algren. Ao contrário do filósofo francês, que via Simone como uma intelectual, Algren a via apenas como mulher, o que fez com que a filósofa se apaixonasse imediatamente. 

"Mas eu mereço o teu amor, se não estou disposta a te dar a minha vida?" escreveu ela. Petra Muller, mulheres como Beauvior estimulam gerações posteriores a expressar seus sentimentos.

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