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quarta-feira, novembro 03, 2010

Medicos defendem o uso de hormônio natural no tratamento de reposição

Menopausa sem contratempos - Antônio Marinho

Uma pesquisa que durou 11 anos com 6 mil mulheres e partir dos 40 anos, feita no Setor de Climatério do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo - USP, mostra que a maioria esmagadora delas tem sintomas de desiquilíbrio hormonal, o que afeta a qualidade de vida. Na fase que antecede a menopausa, 68,13% estão acima do peso ou são obesas; e 81,5% têm algum problema de saúde, como hipertensão (45%) e diabetes (10%). 
A reposição hormonal nesses casos traz bem-estar, mas exige uma série de cuidados. Este foi um dos temas do Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia. Os resultados do estudo da USP - com apoio da Bayer Schering Pharma - mostram que, no Brasil, a faixa etária média de ocorrência da menopausa - o fim da produção de hormônios - estrogênio e progesterona - o aumento da expectativa de vida, cresce o número de brasileiras acima de 50 anos, muitas iniciando a terapia de reposição hormonal - TRH.


Os endocrinologistas Amanda Athayde e Ricardo Meirelles, que discutiram o tema no congresso da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetricia, preferem receitar a progesterona natural ou seus derivados - usada em cápsulas por via oral ou vaginal - em combinação com estrogênios em vez de progestágenos (sinteticos com efeito similar ao da progesterona). Eles dizem que essa é uma tendência em vários países, especialmente na Europa, e que a TRH é individualizada.

- A melhor opção hoje é  estrogênio associado à progesterona natural, ou seus derivados - afirma Amanda. 


- A forma natural, obtida a partir da planta Discorea, é encontrada no Brasil e parece ser mais segura que os progestágenos. Além disso, não causa efeitos como inchaço, crescimento de pelo e alteração de colesterol. E inexistem trabalhos associando o seu uso ao câncer de mama.


As suspeitas sobre o perigo da TRH surgiram em julho de 2002. Na época, um importante estudo da Women´s Health Iniciative (WHI) publicado na "Jama", a conceituada revista da Associação Médica Americana, avaliou os efeitos de um medicamento - premelle - constituído de estrogênios equinos conjugados - premarin - na dose de 0,625mg associado  à medroxiprogesterona 2,5 mg em uso oral e contínuo por mais de 5,5 anos. Os autores constataram maior incidência de derrames e câncer invasico da mama.

Com a progesterona natural isso é pouco provável, diz Amanda, acrescentando que o prazo para o uso da TRH com progesterona natural é sempre a próxima consulta. Enquanto estiver tudo bem com a paciente, ela pode ir usando. Nesses casos, depois do controle inicial, recomendo o acompanhamento médico a cada seis meses, além de mamografia anual.

Não se deve confundir a progesterona natural com as isoflavonas, substâncias encontradas principalmente na soja e em seus derivados, denominadas de fitoestrogênios. 

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