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terça-feira, novembro 16, 2010

O espirito natalino e a artificialidade - Raphael Bruno - Destak Jornal

O Natal chegou. Pelo menos é o que parece nos shoppings país afora, ávidos por estimular, de maneira precoce, as facetas mais consumistas do feraido cristão. Apesar de cronologicamente mais próxima, a Proclamação da República, dia 15/11, mais de um mês antes do nascimento de Jesus Cristo, não é nada perto de luzes reluzentes, treinados Papais Noéis profissionais e compras em parcelas a perder de vista turbinadas pelo 13º salário.

Nada contra o chamado espírito natalino, aquela sensação de paz e solidariedade com o próximo que costuma acalentar os corações mais sensíveis nesta época do ano. Nem conta o saudável aquecimento da economia típico do período. Uma contratação temporária ainda é uma contratação. 

Ninguém tem vocação para ser Grinch, o infeliz duende verde, interpretado por Jim Carrey no cinema, que tenta estragar o feriado. Todos adoram, no mínimo, receber presentes.

Passada a boa ação do ano, voltam à indiferença em relação aos desafortunados


O problema está na artificialidade de muitos dos aspectos que envolvem a data. A essência religiosa do Natal, por exemplo, perdeu muito espaço para esse lado econômico. Não é à toa que o bom velhinho morador do Polo Norte e distribuidor de presentes hoje é o simbolo principal da data, muito mais que o bebê nascido numa manjedoura.


Não é diferente com a sensação de solidariedade. Comovidos pela atmosfera especial do Natal, muitos se sentem mais impelidos do que de costume a participar de alguma ação de caridade, individual ou coletiva. Beneficiários para elas não faltam. Até se multiplicam no período. 

Nas grandes capitais desenvolveram um know how avançado de como e onde obter o máximo de generosidade efêmera ds pessoas. Tudo tão fugaz quanto o sentimento que move a maioria dos convertidos temporariamente ao ativismo social. 

Passada a boa ação do ano, podem voltar à indiferença ou omissão em relação aos rumos dos verdadeiros desafortunados. Eles são mais fáceis de se ignorar sem as canções natalinas embalando os pensamentos. 

Basta subir o vidro com película, fazer cara feia para o pedido de esmola, engatar a primeira marcha e torcer para que os governantes cuidem deles, seja lá o que se entende por "cuidar" e ainda que se tenha votado naqueles que não têm maior compromisso com os setores mais vulneráveis da população.

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