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quinta-feira, novembro 25, 2010

O peso da escolha - Fábio Santos - Destak Jornal

Muita gente gosta de pensar que suas ações e das demais pessoas são ditadas por algo além delas mesmas. É bem comum ouvir quem explique um crime, por exemplo, apontando razões sociais. O sujeito é ladrão poque é pobre e não tem oportunidades. Claro que a falta de oportunidades e a desigualdade desempenham um papel nesse tipo de desvio, mas não são determinantes.

O fundamental é que, em algum momento, o criminoso decidiu roubar. Outros, na mesma situação, continuam agindo dentro da lei. Se pobreza fosse a razão da delinquência, como entender que adolescentes de classe média, como aqueles babacas que espancaram um jovem na Av. Paulista na semana passada, sejam facínoras periogos?

Essa busca em algo exterior para justificar o que se faz é uma forma de se livrar da carga pelas próprias escolhas. É por isso que algumas pessoas entregam seu comportamento a códigos de conduta rígidos, a exemplo daqueles que seguem cegamente as determinações de uma religião (nada contra a fé, apenas chamo a atenção para uma das razões do fanatismo).

Viver é escolher. Mesmo quando nada se faz, há uma escolha. Fugimos dessa realidade porque é muito duro ter de reconhecer que nós mesmos somos responsáveis por aquilo que somos e fazemos. Queremos sempre nos apegar à ideia de que não havia alternativa. Mas sempre há. No fundo, sabemos disso e, mesmo que evitemos, temos de suportar o fato de termos optado por uma das diversas possibilidades à nossa frente.
O peso da responsabilidade é tão grande que até mesmo - ou principalmente - nas questões mais íntimas evitamos aceitar que fomos nós que escolhemos a situação em que estamos. Veja-se o exemplo dos que dizem que seu parceiro é o homem ou a mulher de suas vidas. Aquela história de que "você é a tampa da minha panela". Ora, como sabe qualquer cozinheiro, as panelas podem ter muitas tampas.

No fim das contas, o sentimento de contingência permeia tudo o que somos ou fazemos. Poderia ter sido diferente e não foi porque, em algum momento, escolhemos. Você ama uma pessoa não por que ela seja a única, mas porque foi ela que, em algum momento, você escolheu amar. Ora, se é assim, a qualquer momento pode-se escolher outra coisa. O recomeço, por mais difícil que seja, é sempre possível. O que falta é coragem.

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