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sábado, dezembro 18, 2010

Bebidas que misturam álcool e cafeína são proibidas nos EUA

"A bebida contém álcool em concentração de 12%, o que a torna três vezes mais forte do que a cerveja comum, além de uma quantidade de cafeína equivalente a dois cafés expressos."

Álcool com café

Bebidas alcoólicas com cafeína foram retiradas das lojas nos Estados Unidos após relatos de que causariam reações adversas. Entre as marcas proibidas estão a Four Loko, vendida em lata. A bebida, altamente energética, com sabor de frutas, contém álcool em concentração de 12%, o que a torna três vezes mais forte do que a cerveja comum, além de uma quantidade de cafeína equivalente a dois cafés expressos.

Por determinação da Food and Drug Administration (FDA), órgão que controla o setor de alimentos nos Estados Unidos, a marca Four Loko não poderá continuar a ser vendida na fórmula original. A nova versão não conterá cafeína.

Comentando a decisão da FDA, Joshua M Sharfstein, vice-comissário da organização, citou pesquisas que indicam que a mistura de cafeína e álcool representa um "risco à saúde pública".

Estimulante com calmante

Uma pesquisa feita pela Universidade da Flórida com 802 estudantes que haviam misturado álcool e cafeína concluiu que eles estavam três vezes mais propensos a sair do bar muito embriagados e quatro vezes mais propensos a dirigir, em comparação com estudantes que não beberam álcool em combinação com cafeína.

A cafeína é um estimulante natural que aumenta a atenção e o ritmo dos batimentos cardíacos. O álcool, por sua vez, é um calmante que produz letargia e perda das faculdades normais.

"Quando alguém mistura os dois, acreditamos que a cafeína mascara os efeitos calmantes do álcool", explicou Bruce Goldberger, um toxicologista da Universidade da Florida envolvido na pesquisa.

"Nossa pesquisa mostrou que a percepção da pessoa em relação ao seu grau de debilitação foi mascarada pelo efeito estimulante causado pela cafeína".

Goldberger acha que a combinação leva mais estudantes a ficar acordados por mais tempo, e portanto, a beber mais.

Outro estudo, feito pela universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte, com a participação de 697 estudantes, revelou que os que haviam consumido bebidas alcoólicas com cafeína tinham mais propensão a dirigir bêbados, abusar sexualmente de outra pessoa ou acabar precisando de tratamento médico.

"Meu amigo bebeu um pouco menos do que três latas em uma hora", disse o estudante James Kulinski à BBC. "Ele não sabia o que estava fazendo. Ficou totalmente descontrolado. Não tinha coordenação nem capacidade de se comunicar".

Tendência mundial

Criada por três amigos que se conheceram na universidade, a bebida Four Loko chegou às lojas em 2008.

O fabricante, Phusion Projects, nega afirmações de que a bebida produz o envenenamento por álcool.

"Temos argumentado repetidamente (...) que a combinação de álcool e cafeína é segura", diz uma declaração dos criadores da marca.

"Se fosse insegura, combinações populares como rum e coca-cola ou Irish coffee (café, uísque, creme de leite e açúcar), que vêm sendo consumidas de forma segura e responsável por anos, teriam recebido a mesma atenção que os nossos produtos mereceram".

Outros países, no entanto, estão adotando medidas semelhantes às da FDA americana. O México já proibiu vendas de bebidas alcoólicas com cafeína em bares e casas noturnas. No Canadá, apenas cafeína derivada de fontes naturais, como o guaraná, pode ser adicionada. Na Austrália, as autoridades estão considerando a questão, e na Escócia o partido Trabalhista pediu que as bebidas sejam proibidas.

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