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quarta-feira, dezembro 15, 2010

A importância dos dados locais

Enquanto um satélite pode custar 200 milhões de dólares e dar informações sem muitos detalhes, tecnologias mais baratas podem ser usadas para a obtenção de dados precisos. O Lidar é uma delas.

A tecnologia de 500 000 dólares está sendo melhorada há dez anos no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) pela equipe coordenada pelo professor Eduardo Landulfo. O Lidar emite um raio laser para a atmosfera. Lá, ele se choca com partículas poluentes e parte do raio volta para o equipamento com outro comprimento de onda. Assim, é possível obter informações sobre as partículas, como velocidade e direção. 

Recentemente, a técnica começou a monitorar queimadas de florestas no interior paulista. Em parceria com o Inpe e com o Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente da Universidade de São Paulo, a Petrobras está implantando a técnica para analisar a eficiência de sua refinaria de Cubatão, observando os gases poluentes emitidos. 

A técnica do Lidar também será usada no Atto, na Amazônia, e tem cada vez mais aplicações. “As medidas feitas pelo laser são um importante complemento ao satélite para efetuar medições locais”, afirma Landulfo.

Outra área cujas pesquisas exigem muita tecnologia é a do estudo dos oceanos, sobretudo por conta dos custos envolvidos e da extensão territorial. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), por exemplo, é forte em estudos sobre o litoral. Isso só é possível com uso de software e de um supercomputador do centro. 

“Eles adicionam dados específicos, como a direção do vento e das correntes marítimas, aos dados dos satélites, para chegar à escala usada em obras de engenharia”, afirma Audálio Rebelo, pesquisador da Coppe. 

Uma das obras em andamento é a instalação de uma usina - piloto no porto do Pecém, no Ceará. O projeto do Laboratório de Tecnologia Submarina poderá transformar a energia mecânica das ondas em energia elétrica, e começará a operar em 2011 com capacidade de 100 kW. É essa união de diversas tecnologias que pode levar o Brasil a ser um dos poucos países a projetar e se preparar para os efeitos das mudanças climáticas no futuro.

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