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segunda-feira, dezembro 06, 2010

O Rio é coisa de cinema - Flavio Tambellini

Muito antes da globalização, o cinema já era uma atividade globalizada. Uma equipe de cinema no Quênia funciona igual a uma no Brasil ou outra nos Estados Unidos, o que muda é o orçamento e a estética, mas as funções dentro do set de filmagem e os processos de produção são os mesmos. A barreira da língua pode ser ultrapassada pelos códigos da atividade. Para que haja equipes e equipamento de cinema, é necessário que a atividade local exista, ou seja, eu só posso filmar num país ou cidade que faça filmes, pois só dessa maneira poderei me beneficiar usando mão de obra local e bens de serviço.

O Rio é uma dessas cidades. Principal polo audivisual do país, é aqui que a maioria dos filmes braslieiros é feita. Além do mais, a geografia é espetacular e diversificada: praias, montanhas, florestas, cenários antigos, favelas, indústria e urbanidade. 

Tem de tudo para todo gosto. A maioria dos atores mora no Rio, pois os estúdios das grandes emissoras de Tv ficam aqui. Temos várias agências de figuração, além de laboratórios de imagem e som. Se não houver um equipamento específico no Rio, é só buscar em São Paulo. O número de hotéis e restaurantes bons é significativo. 

A proximidade da Copa e das Olimpíadas nos devolveu um status e um charme que desde a época da capital havíamos perdido. Naturalmente, nesse processo de revitalização da cidade, filmes estrangeiros buscam dois lugares para filmar no Brasil: a Amazônia e o Rio.  E recentemente, tivemos as filmagens de "Hulk", tivemos Stalone e, agora "Velozes e furiosos 5" e "Crepúsculo". Trata-se de um miniboom.

À prefeitura interessa, pois gera trabalho e mídia internacional. A Riofilme apoia através da Film Commission, e a Ancine autoriza as filmagens. Por lei, qualquer produção que venha filmar no Rio necessita se associar a uma produtora brasileira, que é a responsável pelo filme no Brasil, ou seja, se alguém não for pago, a responsabilidade é brasileira. 

Para as produtoras braslieiras, essa prestação de serviços é um mercado bastante interessante e, há uma verdadeira batalha entre elas para pegar os projetos. Algumas têm representantes em Los Angeles e Paris. São contratos altos, quen ão envolvem renúncia fiscal e, por isso mesmo, mais ágeis.

Por outro lado, acontecem alguns senões desagradáveis. O cinema tem um lado predador e, por diversas vezes, acha-se acima do cidadão comum. Semana passada, na Lapa, populares resvoltados colocaram fogo na rua por se acharem cerceados em sua liberdade de ir e vir. Stallone deu declarações de mau gosto a respeito do Brasil. 

Um filme denominado "Turistas" tratava o Brasil como um país selvagem e troglodita. É fundamental que essas filmagens respeitem a cidade, seus habitantes, a ecologia e as leis, principalmente a do silêncio. Recentemente, produzi em Nova York uma semana de filmagem do longa-metragem "os desafinados". 

A prefeitura nos autorizou, nos obrigou a fazer um seguro integralmente, mapeando e policiando os locais de filmagem, sempre priorizando os interesses locais da população e atendendo nossos objetivos artísticos.

Torcemos para que o Rio se torne um lugar tão visto no cinema como Paris, Londres e Nova York, mas que isso não aconteça a qualquer preço e que o mesmo apoio concedido aos filmes os sejam aos brasileiros.

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