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quarta-feira, dezembro 01, 2010

Saúde: uma questão de confiança - Hans Dohmann

Prevenção é a palavra de ordem para quem trabalha com riscos e deveria funcionara a Saúde. Deixar para tratar a população quando já está doente é uma estratégia cara e arriscada, e vai contra qualquer lógica, seja econômica ou médica. 

No Rio de Janeiro, houve investimentos maciços durante anos em hospitais, mas se deixou de investir na atenção primária. Os serviços de saúde realizam pelo menos 70% dos atendimentos no campo da baixa complexidade, da atenção primária. 

Dessa forma, é importante para o sucesso de todo investimento do Sistema Único de Saúde, o SUS, o fortalecimento de unidades básicas e do atendimento primário, garantindo qualidade quando necessários serviços de alta complexidade.
 
Essa reviravolta é possível e depende apenas de gestão. E gerir não é somente fazer escolhas, mas essencialmente colocá-las em execução com efeiciência. Nesse sentido, o programa adotado pela prefeitura do Rio para o SUS, o Saúde Presente, foca principalmente na gestão, baseado no redesenho de três pontos estratégicos: os processos administrativos, o sistema de pronto atendimento (urgência/ emergência) e a atenção primária.

Nas unidades sob gestão direta, com um sistema de metas e recompensas, é possível acompanahr e cobrar dos gestores eficiência e qualidade do serviço oferecido à população. Os novos métodos de administração abrangem desde processos de compra até logística interna. 

A população é a principal beneficiada pos tem toda a economia aplicada de volta no sistema. Administrativamente, a adoção de gestão compartilhada com Organizações Sociais é reconhecidamente um avanço.
O cidadão já pode ver melhoras nas emergências, nas quais um programa de acolhimento, combinado com a regulaçaõ mais eficiente de leitos e consultas, permitiu aumento no número de procedimentos ambulatoriais e internações, com menor tempo de espera.

Nessa mudança no perfil, há também a criação de um sistema de pronto atendimento, com as UPAs 24hs. A meta é ambiciosa: uma unidade para cada 150 mil habitantes, oferta adequada para a população da cidade. A resolução de casos nas UPAs é altíssima: somente 0,37% dos pacientes precisam ser transferidos para hospitais que, dessa forma, ficam livres para exercer seu papel - receber emergências. 


A atenção primária, protagonista desta mudança de gestão, é onde os pacientes têm seu contato direto com o SUS. O desafio era grande: começar um plano com ínfimos 3,5% de cobertura de saúde para a população. 

Com as Clínicas da Família, unidades com modelo de atendimento personalizado e tecnologia, combinando a estratégia de Saúde da Família do Ministério da Saúde, hoje levamos atenção primária a quase 15% dos cariocas, mais de 800 mil pessoas, quatro vezes mais do que há dois anos. O novo sistema atenderá a, pelo menos, 35% da população, praticando na Saúde a palavra de ordem mais lógica: prevenção. 

Temos ainda outro desafio: levar o cidadão a confiar que próximo a sua residência existem profissionais prontos a recebê-lo e tratá-lo, deixando d fazer do hospital seu posto de saúde. O SUS no Rio de Janeiro cuidadosamente caminha na direção de uma gestão mais eficiente, mais adequada às necessidades das pessoas, com mais respeito e com o carinho que a população merece.

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