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terça-feira, dezembro 14, 2010

Tecnologia mudou o hábito da escrita

Nas fábricas do Sul do país, principalmente na região de Shenzhen, onde a mão de obra barata atraiu rapidamente os investimentos estrangeiros a oferta de televisores, computadores, DVDs e smartphones explodiu, conquistando tanto mercado externo quanto interno.

Atualmente, não há marca internacional de prestígio que não esteja na região: Microsoft, IBM, Siemens, Apple, Nortel, Hitachi e Sony, entre tantas outras. Em 2000, das fábricas chinesas saíam 10% da produção mundial de eletrônica. Em 2010, já são 26% - e se prevê que esse índice chegará ao patamar de 30% em 2020. 

De acordo com o instituto Decission, especialista em estudos de mercado, para a indústria eletrônica, em 2011 a China vai fabricar 70% dos DVDs, 46% dos computadores, 42% dos celulares  e 39% dos televisores à venda no merado mundial.

Mas não é certo que no futuro estes produtos só se destinem à exportação. A China está mudando seu modelo de crescimento econômico voltado para o comércio exterior. A conquista do mercado interno foi uma das soluções apontadas pelo governo para contornar a crise financeira de 2008/2009.

Para incentivar o consumo das novas tecnologias, as autoridades chinesas elaboraram uma estratégia comum com as principais multinacionais do país como Lenovo, Haier, Great Wall ou com a Acer de Taiwan. 
Cantores, estrelas de cinema, humoristas ou esportistas de renome foram escolhidos para louvar os méritos de celulares ou computadores em outdoors ou em programas de televisão. Paralelamente, o governo con cedeu subsídios a escolas, universidades e empresas que desejassem adquirir equipamentos modernos. Campanhas para aumentar o acesso à internet nas áreas rurais também foram lançadas, de modo que o cosumo interno atingiu níveis exponenciais.


Para isto contribuiu vários fatores: primeiro, a fascinação dos jovens chineses pelos produtos do Ocidente que sejam símbolo de status ou de modernidade. Segundo, o princípio básico do relacionamento social, que é "não perder a face", ou estar em situação de inferioridade. No caso, ao ver um amigo ou colega adquirir o mais recente modelo de smartphone, o jovem chinês sente-se obrigado a comprar um igual - caso contrário, perde a face.


A terceira explicação também é cultural: a mídia eletrônica modificou fundamentalmente a escrita dos chineses. O teclado dos celulares ou dos computadores não poderia conter os 40 mil ideogramas do mandarim, por exemplo. 

Graças à transposição fonética dos ideogramas ancestrais em letras do alfabeto, os jovens apressados não precisam mais perder tempo traçando signos de sete até 20 traços. Assim, digitando nos celulares ou no teclado dos computadores, a garotada inventou uma linguagem nova, desvinculada do chinês tradicional, e criou espaços de liberdade que permitem desafiar todos os poderes. Isto explica tantas cabeças baixas e olhos fixos nas telinhas que são vistas nos transportes coletivos, nas ruas, nos prédios públicos - em suma, no cotidiano da China, o novo palco do show digital.

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