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quarta-feira, dezembro 15, 2010

A torre Eiffel da Amazônia

Outro projeto tecnológico nada modesto está em construção em São Sebastião do Uatumã, no interior do Amazonas. O Atto terá uma torre de 320 metros (apenas 4 metros a menos que a torre Eiffel, em Paris), rodeada por outras quatro torres de 80 metros.

“O Atto será um sítio experimental de referência para o planeta”, diz Antonio Manzi, pesquisador- titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), instituição que coordena o projeto no Brasil, com a Universidade do Estado do Amazonas e o Instituto Max Planck de Química, da Alemanha. As torres terão vários andares cobertos de sensores para medir concentração de gás carbônico, vapor de água, temperatura, velocidade de ventos, tamanho de gotas de chuva e partículas suspensas no ar, que contribuem para a formação de nuvens.

Por seu tamanho enorme, a torre principal poderá analisar materiais que viajam centenas de quilômetros pelo vento (até a areia do Saara chega lá) e ter uma boa ideia de como funciona o ecossistema amazônico. A tecnologia vai ajudar os cientistas a diminuir a incerteza sobre o clima. 

“Mesmo as pesquisas de ponta sobre a Amazônia apontam resultados diferentes. Há quem diga que no futuro vai chover muito e quem fale que haverá seca”, afirma. As informações coletadas pelo Atto serão transmitidas em tempo real para o Inpa, onde cientistas poderão usá-las em estudos. O projeto deve ficar pronto no final de 2011 e vai operar por até 30 anos.

Embora tenha uma grande extensão territorial, a Amazônia é uma das regiões com maior concentração de pesquisas ambientais no planeta. Mas isso não se repete no resto do país. O pesquisador Eduardo Assad, que estuda os impactos do aquecimento na agricultura na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirma que embora haja dados gerais de satélites para todo o país, algumas áreas carecem de informações locais. 

“Há um buraco grande na rede de observação de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, que detêm 40% da produção agrícola”, diz. Segundo ele, o Brasil tem pouco mais de 1 000 estações meteorológicas, concentradas no litoral, no Sudeste, na Amazônia e em Santa Catarina.

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