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quarta-feira, setembro 07, 2011

Modelo arquitetônico exige vendedores que saibam deixar o cliente confortável dentro do ponto de venda/ Juliana Bacci

Empresas apostam em lojas sem vitrine para atrair consumidores

Editora Globo
Fachada da loja My Shoes, no shopping Ibirapuera, em SP. 
(Foto: Divulgação)
 
Olhar vitrines é o hobby preferido de muitas pessoas. Mas, para que os vidros não desestimulem a entrada dos consumidores na loja, um número crescente de empresas tem inovado nos seus projetos arquitetônicos e tirado as suas vitrines. O modelo ganha força nos corredores de shoppings.

A grife de joias contemporâneas Barbara Strauss, por exemplo, adotou o modelo em 2009, sete anos após sua chegada ao mercado. Hoje, as seis lojas próprias da marca e suas 17 franqueadas não possuem vitrines. Vinícius Leal, gerente de marketing da companhia, classifica a nova arquitetura da rede Barbara Strauss como “convidativa”. “O cliente se sente mais à vontade para entrar na loja”, diz o executivo.

O conceito das unidades foi criado pela Marton&Marton, empresa especializada em soluções em arquitetura de varejo. Para José Marton, fundador da empresa, as lojas sem vitrines podem ser comparadas à internet.  
 
“Hoje, não há mais espaço para barreiras. Qualquer tipo de acesso ao consumo deve ser livre. Tirar o vidro torna uma loja mais simpática, receptiva e democrática, aumentando as vendas”, diz Marton, que também “arrancou” as vitrines de lojas como Eudora, do grupo O Boticário, e Lool.

Quando aconteceu a mudança na arquitetura das lojas Barbara Strauss, seus colaboradores passaram por um treinamento para que entendessem o novo conceito e, a partir daí, fossem criadas estratégias para a decoração da loja e a abordagem dos clientes. 
 
“Nossas vendedoras sempre perguntam às consumidoras se elas conhecem a loja, apresentam o espaço e explicam que elas podem tocar nas joias e experimentá-las”, afirma Leal.

Do mesmo sucesso compartilha a marca de sapatos My Shoes, que já nasceu sem vitrine. “Quando eu estava estudando o mercado para abrir a empresa, contratei um arquiteto para que deixasse minhas lojas aconchegantes. Eu queria que a consumidora se sentisse no closet de sua casa, à vontade para pegar os sapatos e prová-los”, conta Alexandre Zolko. Para o dono da My Shoes, “a loja inteira deve ser a própria vitrine”.

Romano Pansera, presidente do POPAI Brasil, associação global de marketing no varejo, afirma que as estratégias de empresas como Barbara Strauss e My Shoes são válidas desde a ação esteja interligada à proposta de valor e ao posicionamento de marca da companhia. 
 
“A vitrine ainda tem a missão de comunicar aquilo que a loja pode oferecer”, diz. Segundo ele, a tática de não usar os vidros se aproxima do público mais jovem e descontraído, com vendedores mais comunicativos.

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