Páginas

terça-feira, outubro 04, 2011

Como os casais de amigos lidam com esse tipo de relacionamento, que foge das amarras

Amizade colorida


Chegou aos cinemas nesta sexta-feira, 30 de setembro, o filme "Amizade Colorida", estrelado por Justin Timberlake e Mila Kunis. No longa, Dylan e Jamie - personagens vividos pelo casal de atores - decidem que são amigos o suficiente para poderem fazer sexo de vez em quando, acreditando que o "upgrade" na amizade vai ser algo simples. A partir daí surgem as complicações comuns a um relacionamento destes, com a lente de aumento que só Hollywood pode colocar.

O filme levanta uma questão que é relativamente comum no mundo real. "A amizade colorida não é uma coisa nova. Ela já foi 'moda' nos anos 1980", explica a psiquiatra e sexóloga Rita Jardim. "Não é um comportamento de jovens ou de velhos, mas é um tipo de relação que pode acontecer numa fase da vida em que não estamos preparados para um relacionamento com compromissos mais constantes", afirma ela.

Quem prefere as amizades coloridas a um relacionamento monogâmico e fixo, está bem certo do que quer. "Você sempre acaba conhecendo algumas pessoas com quem gosta de ficar, de bater papo, mas com quem não rola aquela química mais forte, com quem valha a pena investir num relacionamento sério", declara Marcela Teixeira, relações públicas carioca de 31 anos. 

Para a psiquatra, o principal cuidado que quem prefere ter amizades coloridas deve ter é não se iludir

"Deve-se ter cuidado para não criar sozinho a expectativa que esse tipo de relacionamento possa 'virar' um compromisso mais sério", explica ela. E a regra parece que vale na prática. Pedro Diniz, produtor de 23 anos, diz que nunca se envolveu exclusivamente com nenhuma de suas "amigas". 

"Vale a dica, evite ao máximo!", brinca ele. 

Mas para Rita, a "fuga" é do compromisso em si, e não do "amigo". "As pessoas que dizem evitar se relacionar profundamente com o amigo colorido normalmente fogem porque têm medo de relacionamento como um todo", explica ela. Para Pedro, a coisa funciona de forma mais natural. 

"Ter uma amizade colorida é dar preferência ao momento, e não ao rótulo", afirma ele, referindo-se ao "status" de compromisso sério. E o produtor ainda dá uma aula de como administrar mais de uma "amizade" ao mesmo tempo.

"É normal que exista algum nível de ciúmes de ambos os lados. Portanto, para evitar confusões, você tem que se planejar com o mínimo de cautela. Sair para algum lugar onde vão estar duas ou mais das suas 'amigas' é problema certo", ensina ele. Para Marcela, essa dica é fácil de colocar na prática. "Os 'amigos coloridos' não são pessoas com quem eu saio direto", explica ela. 

Mas como todo mundo, há um momento de "sossegar" e assumir um compromisso com alguém. E é nesse momento que os amigos coloridos saem de cena. "Nesses momentos o amigo colorido fica lá no canto dele, e por eu ser sempre muito transparente, meus namorados nunca foram de desconfiar de mim", conta Marcela. 

"Quando você decide parar um tempo com alguém, você também está abrindo mão das suas amizades coloridas", diz Pedro. 

E colocar um ponto final em uma amizade dessas pode ser um pouco complicado, como em qualquer relacionamento, mas não é impossível. Para o produtor, a conversa é sempre a melhor maneira de resolver as coisas

"Não vale a pena sacrificar todo o tempo divertido que vocês passaram com brigas e discussões", declara ele. 


Marcela afirma que é possível continuar a amizade, sem o "colorido" extra. "Como é uma relação sem cobranças e, no geral, sem expectativas, você não vai correr o risco de magoar o outro", atesta. Mas a psiquiatra afirma que a fase de "amizade colorida" é passageira, para todos. 

"O ser humano é um ser sociável e precisa de relacionamento", explica ela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário