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terça-feira, dezembro 06, 2011

Fátima Bernardes comemora sonho de programa na Globo

Apresentadora, que optou por deixar o ‘Jornal nacional’, revela que teve medo de não conseguir conquistar um novo espaço na grade da emissora Mirelle de França

RIO - Quando foi gravar a mensagem de fim de ano da Globo, no início de novembro, Fátima Bernardes caprichou no trecho que diz “o futuro já começou”. 

Há 13 anos e nove meses à frente da bancada do “Jornal Nacional”, ao lado do marido e editor-chefe William Bonner, a jornalista não conseguia esconder a felicidade — e o alívio — no dia do anúncio de que vai deixar o telejornal ainda esta semana. 

Em entrevista à Revista da TV, ela mantém o segredo sobre o projeto que vem idealizando há quatro anos e que vai assumir em 2012. Na bolsa de apostas que se transformou o assunto, consta que vem por aí uma atração matinal feminina, nos moldes do antigo “TV Mulher”, mas com forte pegada jornalística. Fátima, que puxou o trem das mudanças no jornalismo da emissora — no seu lugar, entra Patrícia Poeta, substituída por Renata Ceribelli no “Fantástico—, chegou a ter medo de que não encontraria um lugar só seu na grade. “Não são todas as pessoas que têm esta oportunidade”, reconhece. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.


O GLOBO: Você parece genuinamente empolgada com o novo programa. Mas, além do lado profissional, ter mais tempo para a família pesou na sua decisão?

FÁTIMA BERNARDES: Foi uma decisão motivada profissionalmente. Claro que hoje, quando fui falar para meus filhos, eu mostrei qual a vantagem para eles desta mudança. E, neste primeiro momento, enquanto eu ainda não estiver no ar, eles vão ter esta disponibilidade. Depois, a gente vai se organizar. Sempre foi assim e vai continuar. Eles têm certeza que são prioridade.

Eles ficaram sabendo só hoje (última quinta-feira, dia do anúncio)?

FÁTIMA: Efetivamente hoje, sim. Eles não são mais crianças, têm 14 anos, mas é um projeto sigiloso. Não era justo jogar sobre eles a responsabilidade de guardar tanto segredo.

Você diz estar se sentindo leve. Esse alívio vem de onde?

FÁTIMA: Leve, principalmente por poder contar. É horrível conviver com um segredo. As pessoas ontem (na última quarta-feira) me davam parabéns e eu ficava em choque, achando que sabiam. Mas era por causa do Vasco (que disputou a vaga para a final da Copa Sul-americana). A sensação que só você sabe uma coisa é horrível. Então, estou muito leve no sentido de que eu pude dividir com as pessoas algo que está me fazendo muito bem. E o segredo estava me fazendo muito mal.

Mas o segredo continua...

FÁTIMA: Mas agora é muito compreensível. Eu preciso deste segredo neste momento para poder implementar tudo o que a gente pensou. Aí depois, sim, vem uma outra fase.

Como foi repensar a relação com o “JN”? Você acredita que este é um recomeço?

FÁTIMA: Foi muito tempo na bancada. Eu completaria 14 anos em março. Foram 13 anos e nove meses. Eu acho que sim. Tem muita coisa para acontecer. Ano que vem eu faço 25 anos de Globo, 50 anos de idade e meus filhos fazem 15. É um período muito legal.

É um momento em que eu vou sentir exatamente isso, que estou recomeçando, reaprendendo a fazer coisas. Não que eu já saiba tudo de jornal, porque quando você é colocado diante de uma notícia nova, você vai estudar. Mas é todo um mecanismo de comandar um programa. É muito diferente do que eu faço hoje.

Diferente como?

FÁTIMA: O público me acolhe. Ter a possibilidade de não ter que me preocupar com a notícia, que no caso do jornal de hard news é tão importante que qualquer outra coisa soa como ruído, já é um alívio. Sendo jornalista, e eu vou continuar sendo, não estar naquele horário nobre, naquele momento do “JN”, ao qual todos assistem, é uma mudança muito grande. A leveza se dá também por aí. Vou encarar tudo de uma outra forma. 

Vou aprender a ver o mundo sem ser com os olhos do “JN”. Hoje, eu sei. Agora, eu vou ter que descobrir. Isso é muito estimulante. Imagina, às vésperas de completar 25 anos na mesma empresa, você ter a chance tão grande de renovação no mesmo lugar?

Você não está conseguindo esconder sua felicidade...

FÁTIMA: Na mensagem de fim de ano da Globo, as pessoas me diziam “Fátima, você está tão feliz”. É que quando o Rei (Roberto Carlos) cantava “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”, e eu fazia coro dizendo “O futuro já começou”, no fundo era isso que estava acontecendo comigo. Está se abrindo um novo futuro pra mim. Ninguém vai fazer aquela matéria “25 anos de carreira de Fátima Bernardes...”.

É uma guinada e tanto, não?

FÁTIMA: Isso. Eu vou fazer 25 anos de Globo com uma grande guinada. Não são todas as pessoas que têm esta oportunidade. Eu sofri muito com medo de não ter espaço na emissora. Como uma grade tão bem construída vai abrir espaço para que euzinha resolva fazer um projeto?

Foi bom, então, esperar quatro anos para assumir o projeto? Deu tempo para amadurecer a ideia e a decisão de sair do “JN”...

FÁTIMA: Sinto exatamente isso. É como se fosse um embrião e ele foi se desenvolvendo. Eu participei de um projeto, o “Lê pra mim”, na Biblioteca Nacional, para crianças carentes há duas semanas. Sabe como era o nome do livro escolhido para eu ler? “O esconderijo das vontades”. E ainda me falaram: “Tem tudo a ver com você”. Quando eu li a história, não acreditei na coincidência.

William parece um pouco mais tenso que você com esta história toda ou é impressão?

FÁTIMA: Eu entendo. Ele vai fazer o jornal que vai receber a Patrícia Poeta, que está entrando. Claro que tem a ansiedade natural de uma estreia. Eu vou estar confortável, fora do ar, com possibilidade de estar mais tranquila ou mais nervosa, porém sem que ninguém veja. Já ele, não. Ele estará no ar.

É bom saber que o marido não é mais seu chefe?

FÁTIMA: Deve ser. Nem me lembro mais como é (risos)! Mas foi muito bom ter esta cumplicidade por tanto tempo.

Qual conselho você daria para Patrícia Poeta?

FÁTIMA: Que ela seja ela mesma. Ela tem um perfil acolhedor, tanto nas entrevistas quanto nas reportagens. Ela é assim como pessoa. Séria e determinada. Que ela mantenha essas características que já são dela, que são naturais e que o público identifica. 

Televisão é um veículo muito transparente. E quanto mais normal e natural a gente for, quanto menos personagem a gente for, é melhor. Sempre. Não é à toa que a Patrícia tem essa aceitação do público. O melhor elogio pra mim é alguém dizer: “Você é exatamente como eu imaginava”. Eu não tenho um personagem, não sou uma atriz. A minha vida é verdadeira, é exatamente como ela é. É muito bom a gente ser como a gente é.

Qual momento do “JN” ficará na sua memória para sempre?

FÁTIMA: Foram muitos. Agora mesmo eu revi um deles (no anúncio das mudanças no jornalismo da Globo, a emissora apresentou vídeos com a trajetória dos apresentadores): a minha estreia no jornal. Foi quando, pela primeira vez, eles usaram aquela voz do Cid Moreira em off dizendo: “Com William Bonner e Fátima Bernardes”. 

Outro momento inesquecível vai ser esta última edição que vou apresentar esta semana. Tem também a ida ao Morro do Bumba, ter estado junto com a Seleção quando ganhamos o Penta. E, olha, foi aqui, neste mesmo lugar, neste terraço, que eu fiz a minha primeira matéria a ir ao ar no “JN” (no antigo hotel Méridien, no Leme, atual Windsor). Era uma reportagem sobre os fogos de Copacabana, em 87. E não para por aí. Lembro da entrevista com Ronaldo quando ele contou que tomou um tranquilizante na Copa de 98.

Na próxima Copa, onde estará Fátima Bernardes?

FÁTIMA: Futebol é minha paixão. Temos que ver como o programa vai tratar desses assuntos. Mas nada impede.

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