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terça-feira, maio 01, 2012

Antes mal acompanhada do que só

O importante é estar namorando – não importa como ou quem? É o que pergunta a escritora Gisela Campos nesta Visita de Domingo.

Em plena semana santa, fui tomar um chopp com uma amiga que me contou a situação que está vivendo. Separada, com 2 filhos pequenos, ela estava os últimos 5 anos sem namorado. Bonita, alegre e interessante, dedicou-se nestes anos a criar os filhos e formar esta família sem pai, como tantas famílias brasileiras.

Nem preciso contar as tantas vezes os amigos tentaram lhe apresentar homens, tentando formar pares, libertando-a da sua solteirice de mãe divorciada. Nos últimos anos, essas tentativas foram todas em vão. Alguns casinhos rápidos ( um deles com o professor de educação física de um dos meninos), e os anos foram passando, sem que Alice tivesse assumido um namoro, digamos, oficial.

Até que, um belo dia, aconteceu. Alice e um colega de trabalho acabaram por descobrir mais em comum do que as planilhas de excel. O namoro engatou, cada um conheceu os filhos do outro e, pronto, virou uma realidade.

Principiantes do facebook, os pombinhos resolveram mudar os seus respectivos “status” nas suas paginas para “em um relacionamento serio”. Aquilo era uma brincadeira dos dois, nunca poderiam imaginar a repercussão que aquela bobagem teria nas suas páginas – e vidas.
Especialmente na de Alice. E o que ela me conta.

No dia seguinte da mudança de status no facebook havia mais de 30 comentários, além de inumeros likes – na sua esmagadora maioria – de mulheres.

O que mais espantou Alice foi que nenhuma das suas amigas perguntava COM QUEM ela estava namorando. Como se nao viesse ao caso! O simples fato de estar namorando era – por si só – comemorado no facebook. E choviam likes e frases como “que ótima noticia!”, “que coisa boa”…

Alice, há tanto tempo solteira e feliz com esta condição, me contou que se assustou com a intensidade dos comentários e com a indiferença das amigas sobre o próprio namorado ou mesmo sobre ELA: “ninguém me perguntou se eu tava feliz, todas estavam simplesmente felizes – elas mesmas – com o fato de EU estar namorando!”, me dizia Alice, “parecia que eu tinha ganhado uma guerra!”

Ficamos as duas pensando sobre a condição feminina a luz destes anos 10. Será que ainda hoje valorizamos a ideia de um companheiro como um triunfo? Por que pode ser tao relevante para os outros o fato de estarmos casados ou solteiros? 

Será que o “estar namorando” anunciado no facebook virou um indicador de sucesso? E por que será que, para os homens, isto nao tem o mesmo peso?

Diante de tantas perguntas complexas, pedimos outro chopp e mudamos de assunto, sem respostas.

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