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terça-feira, maio 01, 2012

Grávida sem saber

Quatro fatos chocantes em uma história: na Holanda, uma menina de 12 anos deu à luz. Isso aconteceu durante uma excursão da escola. O início do trabalho de parto foi confundido com fortes dores de estômago. A garota nem sequer imaginava que estava grávida.

Essa história foi contada pelo Jezebel e me fez lembrar de um episódio dos tempos do colégio. Eu estava de férias, me preparando para o terceiro ano do ensino médio, quando soube que uma das minhas melhores amigas estava grávida. Ela tinha 16 anos e só descobriu que carregava um bebê na barriga no sexto mês de gestação, durante uma consulta médica de rotina em que estava acompanhada da mãe.

Foi um choque, afinal nem ela nem nós conseguíamos entender como era possível uma mulher estar grávida e não saber. O corpo muda, as atitudes mudam, o modo de viver é outro. No caso da minha amiga, tudo continuava absolutamente igual e ela era, como todas nós, uma adolescente que se divertia sem pensar no amanhã.



Nós fazíamos aula de jazz juntas e, durante os meses em que ensaiávamos a coreografia da apresentação anual, vi minha amiga se atirar ao chão inúmeras vezes, a fim de chegar à perfeição exigida pela professora. Nós ríamos muito disso e de muitas outras coisas, sem imaginar que dentro da barriga dela havia um bebê. Sem pensar que esse bebê poderia ser machucado nos ensaios.

Minha amiga menstruou normalmente nos primeiros meses da gestação, não teve nenhum sinal de enjoo nem de cansaço, sintomas comuns às grávidas. Lembro que, naquele ano, a vi comer muitas bolachas de água e sal. Ela estava fazendo regime, uma guerra declarada à barriguinha  que, mesmo com ginástica e pouca comida, teimava em não sumir.

Também me lembro do dia em que sua garotinha nasceu. Mal deu tempo de a mãe ser anestesiada. O bebê escorregou para fora do corpo como “um sabonete”. Essa correria na maternidade já tem dez anos. 

Hoje, a menina é uma pré-adolescente serelepe, fã de Jonas Brothers e uma das melhores alunas da classe. Fala quase sem parar e tem uma habilidade muito maior do que a da mãe em redes sociais.

Desse tempo estranho da gravidez, minha amiga tem boas e más lembranças. Precisou lidar com as emoções de ser mãe repentinamente, teve de enfrentar comentários desagradáveis – alguns ouvidos ainda hoje. Viu sua rotina se transformar radicalmente e não pode ir a todas as festas que quis. 

Por outro lado, ganhou a melhor amiga de todos os tempos. “Fazemos tudo juntas, ela é muito companheira”. Penso que hoje, depois do susto e de tantos percalços, minha amiga é uma mãe feliz.

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