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segunda-feira, agosto 20, 2012

Comer em aeroporto chega a custar o triplo, e Infraero cria lanchonete popular

Até o fim do ano, 11 terminais do país, inclusive os do Rio, ganharão estabelecimento Rennan Setti Publicado:

RIO — Nos terminais do Galeão e do Santos Dumont, o passageiro que vai fazer um lanche antes de pegar o avião tem a sensação de que os preços decolaram antes dele e estão suspensos nas alturas. 

Produtos vendidos nas lojas dos aeroportos do Rio chegam a custar o triplo do que é cobrado em shoppings e lanchonetes da cidade. Com a chegada das classes C e D ao saguão de embarque, a Infraero decidiu agir para que os novos passageiros possam pagar pelo sanduíche: até o fim do ano, 11 aeroportos do país, entre eles os cariocas, terão uma lanchonete “popular”, com preços baixos e controlados. 

São vários os exemplos de preços estratosféricos — veja neste link infográfico com a comparação de preços. À espera do voo de volta a Porto Alegre, Maria Anália Damasceno desistiu de comer um quindim: o doce custava R$ 9 em uma lanchonete no Santos Dumont. Ela preferiu pagar R$ 14 em um misto quente e um refrigerante, mas continuou achando caro: — Estou acostumada a comprar o quindim por R$ 4,50 lá na minha cidade.

No Terminal 2 do Galeão, um pote de 415 gramas do sorvete Häagen-Dazs sai por R$ 42, enquanto pode ser encontrado por R$ 19,90 no shopping RioSul. Um pão de queijo grande custa R$ 4 no saguão de embarque, mas é vendido por R$ 2,70 em uma franquia da mesma rede no Centro. Os preços altos obrigam quem trabalha nos aeroportos a trazer comida de casa.

Na terça-feira, Daiane Souza, funcionária de uma banca de revistas do Galeão, comia um sanduíche que ela própria fez. Para complementar o almoço, comprou um pastel de carne por R$ 4 em uma lanchonete do aeroporto:

— Acho que o preço justo seria, no máximo, R$ 3. É tudo muito caro. Por isso, todo mundo que trabalha aqui acaba trazendo comida de casa. Também no Galeão, um casal de Araxá, Minas Gerais, achou demais os quase R$ 27 pagos pelo almoço do seu bebê, Henrique, de apenas 1 ano.

— Lá em nossa cidade, um quilo de comida não passa de R$ 30. Aqui, chega a R$ 50. Mas não é um problema só do aeroporto. O Rio está caro demais. Durante nossa estada na cidade, gastamos mais de R$ 400 por diária em um hotel na Rua Barata Ribeiro. 

Tudo está caríssimo, e isso faz com que a viagem saia uma fortuna — disse o empresário Paulo Márcio Silva, que considera o Rio mais caro do que Nova York, onde morou por cinco anos. Em Curitiba, refrigerante não pode custar mais que R$ 3,20.

O superintendente de negócios comerciais da Infraero, Claiton Resende Faria, considera adequados os preços das lojas dos aeroportos. Segundo ele, com base em cláusulas dos contratos de concessão dos espaços, o órgão inspeciona regularmente os preços praticados e notifica os lojistas flagrados em irregularidade.

A reportagem questionou a Associação Nacional de Concessionárias de Aeroportos (Ancab), que representa os lojistas, sobre os preços elevados, mas não obteve resposta.

— É natural que os preços nos terminais sejam maiores, pois o custo operacional das lojas também é maior. Elas precisam funcionar todos os dias do ano, 24 horas por dia. Isso implica mais gastos. Logo não se pode comparar uma loja de aeroporto com um botequim — afirmou Faria.

Mas a Infraero admite que os passageiros da chamada nova classe média, que passaram a viajar de avião nos últimos anos, podem achar os preços proibitivos.

A solução foi licitar espaços para lanchonetes com preços baixos e tabelados, como forma de oferecer uma alternativa aos passageiros e estimular a concorrência entre os lojistas. O concessionário é obrigado a cumprir o preço estipulado por um ano. Ao fim do período, a Infraero avalia a possibilidade de reajuste.

— Agora, as classes C,D e até E estão frequentando aeroportos, por causa do aumento na renda e de promoções. Por isso fomos buscar uma alternativa mais barata, embora a função da Infraero não seja regular preços — disse o superintendente da Infraero.

A ideia é introduzir as lanchonetes populares nas cidades-sede da Copa de 2014. No Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, uma delas começou a funcionar há algumas semanas. 

Lá, uma lata de refrigerante não pode custar mais de R$ 3,20 (no Galeão, sai por R$ 4,50 hoje); já o preço máximo do sanduíche natural é R$ 3,90 (custa R$ 8 no Rio). A cesta de produtos com preços regulados tem 15 alimentos.  

Já foi licitada a lanchonete do aeroporto de Londrina (PR) — que não é sede da Copa mas quis integrar o projeto. O pregão para a loja de Natal acontece amanhã. Na quinta-feira é a vez de Recife, e na sexta, de Fortaleza. 

Os leilões de Vitória (que também não é sede), Congonhas (São Paulo) e Salvador sairão ainda este mês. Depois da licitação, o prazo para que a lanchonete comece a funcionar é de 90 dias.

O processo licitatório para os aeroportos do Rio (Galeão e Santos Dumont) e o de Porto Alegre estão em fase de prospecção de espaço disponível e pesquisa de preços, mas deve ser concluído ainda este ano. Como passarão por amplas reformas para a Copa, os terminais de Cuiabá, Manaus e Confins (Belo Horizonte) só devem receber a lanchonete no ano que vem. 

A Infraero também apresentou a ideia aos concessionários dos aeroportos privatizados — Guarulhos (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Brasília —, mas cabe a eles aderir ou não ao projeto.

Leia mais sobre esse assunto em 

http://oglobo.globo.com/economia/comer-em-aeroporto-chega-custar-triplo-infraero-cria-lanchonete-popular-5699606#ixzz247FgWWCb

 
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