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quarta-feira, outubro 24, 2012

Bolhinhas na happy hour
































As champanherias, bares especializados
em espumantes, se espalham pelo paí.


(Letícia Sorg)




O nome champanhe, que já foi usado para designar qualquer vinho espumante, na verdade se refere a uma "denominação de origem controlada". 

Só pode ser utilizado pela bebida produzida na região francesa de Champagne. Isso não impediu que as chamadas champanherias, bares especializados nesse tipo de vinho de várias partes do mundo, proliferassem na Europa, nos Estados Unidos e, agora, no Brasil, onde diversos estabelecimentos vêm sendo inaugurados.
Ernani d'Almeida
Juliana: "Segurar a taça tem tudo a ver com a elegância feminina"

O sucesso do espumante como peça de resistência dos novos bares se deve à popularização da bebida. Ninguém mais se sente obrigado a usar fraque ou vestido longo para tomar uma taça. O que manda, na nova onda de consumo, é a informalidade. 

Um dos mais bem-sucedidos estabelecimentos com essa proposta é o Ovelha Negra, uma champanheria de Porto Alegre que em três anos de existência se tornou um dos lugares mais badalados da cidade. Ela se inspira nos bares espanhóis especializados no espumante local, o cava. Muito procurada por jovens no fim do expediente, oferece apenas espumantes em sua carta de bebidas, em taças que custam a partir de 6,50 reais apenas. 

"No início, nem os produtores acreditavam que a idéia iria para a frente", conta Marcelo Paes, um dos sócios. Na esteira de sua fama, já brotaram três concorrentes. 

Nos últimos três anos, os jurados da edição especial de VEJA O Melhor de Porto Alegre elegeram o Ovelha Negra o melhor bar de happy hour da capital gaúcha. 

A filial carioca do Ovelha Negra ganhou o mesmo prêmio do júri de Veja Rio, no ano passado. A novidade foi aprovada de tal forma que o espumante passou a competir com o chope na happy hour. Bares do centro, da Zona Sul e da Barra da Tijuca incluíram a bebida no cardápio e surgiram casas como a Xampanheria, do sommelier Danio Braga.
Paulo Pinto/AE
A champanheria da Daslu, em São Paulo: carta com apenas oito rótulos, selecionados e caros

Em São Paulo, além das sofisticadas champanherias da Daslu e do Hotel Emiliano, o espumante conquistou espaço na Vila Madalena, bairro repleto de bares. Há pouco mais de dois meses em funcionamento, a Champagnerie tem competido pela atenção de quem está acostumado a apreciar um chopinho no fim do dia. Já há planos de inauguração de uma filial no badalado bairro de Moema e em capitais do Nordeste. 

O público feminino é um dos principais adeptos da novidade. Em Porto Alegre, as mulheres são mais de 70% da clientela e é comum ver mesas inteiras ocupadas por turmas de amigas. 

"A bebida e o ato de segurar a taça têm tudo a ver com a elegância feminina", confirma a atriz Juliana Paes, que aderiu às borbulhas. Segundo a sommelière Alexandra Corvo, o espumante reúne características para agradar ao paladar e ao bolso nacionais. 

"A bebida combina com o clima quente do país e apresenta ótima relação custo-benefício", explica. Se ainda é difícil encontrar vinhos brasileiros no nível dos argentinos ou chilenos, o mesmo não ocorre com o espumante. Nas avaliações internacionais, os produtos do Brasil têm obtido prêmios importantes. 

"O melhor que o país pode produzir enologicamente, pelo clima e pela terra, é o espumante", explica Martin Pereyra Rozas, gerente da Chandon, braço brasileiro da tradicional marca francesa Moët & Chandon. 

"A bebida tornou-se o foco da nossa operação." 

Segundo a União Brasileira de Vitivinicultura, no primeiro semestre deste ano o consumo de espumantes cresceu 13% no país. 

"O mercado vai continuar aquecido, e por isso construímos mais uma fábrica", afirma Ângelo Salton Neto, presidente da vinícola Salton. 

Os espumantes representam 25% do faturamento da marca. Há cinco anos, esse índice era de 2%. 

O florescimento do mercado nacional da bebida chamou a atenção da Pommery, tradicional produtora francesa de champanhe. Dois meses atrás, a importadora brasileira La Vigne trouxe para o mercado brasileiro um champanhe em garrafinha de 187 mililitros para ser tomado com canudinho.

"O jovem quer uma bebida versátil, como a cerveja long neck, que possa carregar consigo durante a festa", explica Richard Bruinjé, diretor da importadora. A Chandon já tem uma versão míni de suas garrafas, batizada de Baby Chandon, e outras marcas, como Aurora e Salton, se preparam para lançar até o fim do ano produtos semelhantes. Todas visam ao público jovem, cujo interesse pelo produto ficou demonstrado pelo sucesso das champanherias.

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