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sábado, dezembro 22, 2012

Maias desmentem FIM DO MUNDO e celebram NOVA ERA

Descendentes dos maias organizaram e participaram de atividades místicas em centros arqueológicos e cerimoniais em vários países da Mesoamérica

REUTERS/ Victor Ruiz Garcia

Pessoas com roupas de guerreiros dançam diante da pirâmide Kukulkan, em Chichen Itza, no México

Pessoas com roupas de guerreiros dançam diante da pirâmide Kukulkan, em Chichen Itza, no México

Cidade do Panamá - Os povos maias deram nesta sexta-feira as boas-vindas a uma nova era de seu calendário com celebrações, pedidos de paz e reconciliação, e desmentindo os boatos que sustentavam que sua cultura profetizava o fim do mundo.

'Não é o fim, é o início de uma época de novas oportunidades para todo o mundo', disse a presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, convidada especial de seu colega guatemalteco, Otto Pérez Molina, nas cerimônias para receber a nova era no sítio arqueológico de Tikal, um dos mais importantes do mundo maia.

'Este novo amanhecer significa as boas-vindas a uma época de mudanças, que trará esperança e positivismo para levar adiante nossos projetos. Esperamos que nos traga a redução da pobreza e da violência', declarou Pérez Molina no alto do Templo da Serpente de Duas Cabeças, de 66 metros, onde esperaram o começo da nova era.

Milhares de descendentes dessa cultura que habitou há mais de dois mil anos a Mesoamérica participaram hoje de atividades místicas realizadas em dezenas de centros arqueológicos e cerimoniais maias de Guatemala, El Salvador, Honduras e México para despedir-se do 13º B'aktun, o ciclo anterior de seu calendário que durou 5.200 anos.

Nos centros cerimoniais maias do México, como o de Chichén Itzá, no estado de Iucatã, um dos mais emblemáticos dessa cultura, as celebrações começaram desde antes do amanhecer e prosseguiram o dia todo com grupos de dançarinos que exibiam seus movimentos ao lado de pessoas que tentavam meditar por ocasião da chegada do novo ciclo.  Também houve concentrações nas principais cidades e sítios arqueológicos de Tabasco e Quintana Roo, no sul do México.

As celebrações continuarão, já que em El Salvador as principais cerimônias acontecem por volta da meia-noite, enquanto em Honduras, os indígenas chortís, de origem maia, aguardam até o amanhecer do sábado para dar o ciclo por concluído. Nas ruínas de Copán, em Honduras, outra das cidadelas maias mais importantes, os dirigentes indígenas chortís aproveitaram para queixar-se do abandono em que se encontram suas comunidades por parte das autoridades. 

'Basta de mentiras de Pepe (Porfirio) Lobo e seu Governo', pediu a conselheira espiritual Martha González em cerimônia religiosa realizada sob uma árvore e em torno de uma fogueira na qual ardiam sementes de cacau, tabaco, aguardente e incenso, entre outras substâncias aromáticas. 

A conselheira declarou que suas rezas eram para que haja paz, trabalho e bem-estar, especialmente para os povos indígenas, porque há crianças e mulheres que não têm o que comer nem terras que cultivar. 'Que nossos deuses toquem o coração das autoridades, que não sigam mais enganos, que os governantes cumpram o que prometeram', declamou Martha. Porém, a maior parte das cerimônias teve um tom mais místico e inclusive ecológico, embora sem esquecer as reivindicações de justiça social dos descendentes dos maias. 

'Clamamos a Ajaw (o Criador) pela paz e reconciliação do homem consigo mesmo, com a humanidade e com a natureza. Esta mudança de era traz coisas boas para o mundo, mas para conhecê-las devemos iniciar uma mudança positiva', assinalou um sacerdote em frente a uma fogueira sagrado na cidade pré-colombiana guatemalteca de Iximché. 

Na praça central dessa cidade sagrada, cujo nome significa 'Árvore de Milho', desde quinta-feira os sacerdotes veneraram e avivaram o fogo, purificaram os centros cerimoniais maias e agradeceram a Ajaw pelo término do 13º B'aktun.

'O 13º B'aktun não representa o fim do mundo, como mal pressagiaram em outros lugares, mas nesta nova era, se não protegermos à mãe terra, o sol, o ar, o vento, que são nossa essência, é seguro que nosso planeta morrerá em breve', refletiu outro dos sacerdotes.

A conclusão do 13º B'atkun foi interpretada infundadamente por apocalípticos e milenaristas como uma profecia do fim do mundo, apesar de líderes religiosos maias e estudiosos dessa cultura sempre terem desacreditado essa ideia.

Com a nova era maia 'vêm outras mudanças positivas', assegurou a descendente nahuat-pipil Mayté Domínguez às várias pessoas que visitaram o parque arqueológico salvadorenho de Tazumal, junto a cuja pirâmide de 23 metros onde hoje se encenaram danças, música, cerimônias indígenas e desejos de paz e bem-estar.

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