Páginas

quarta-feira, junho 12, 2013

A administradora Vivian Tornero, de 37 anos, afirma que seu filho está com o peso "no limite".

'Ele recusa fruta, pois prefere macarrão, nuggets e chocolate', diz mãe

Davi Lira - O Estado de S. Paulo

Vivian pretende cortar as guloseimas do filho e propor uma alimentação com menos açúcares - Arquivo Pessoal
Vivian pretende cortar as guloseimas do filho 
e propor uma alimentação com menos açúcares

Até os dois anos de vida do seu filho Gabriel, a administradora Vivian Tornero, de 37 anos, não tinha problemas com a alimentação do garoto. As dificuldades começaram a partir dos 3 anos. "Ele comia verduras e legumes regularmente. Hoje, com 6, ele está cada vez mais seletivo. Ele recusa fruta, pois prefere macarrão, nuggets e chocolate", fala Vivian.

A preferência por uma alimentação mais calórica está levando o garoto a ganhar uns quilinhos a mais. "Ele come muito carboidrato. O pediatra já falou que preciso cortar as guloseimas. O peso dele (25 kg) está no limite", comenta Vivian.

A estatística Fátima Queiroz, de 38 anos, é outro exemplo de mãe preocupada com a alimentação e o ganho de peso do filho Pedro, de 6 anos. "Ele gosta muito do chocolate branco, chicletes e adora o pão bisnaguinha. Mesmo estando com peso normal, na nossa casa sempre controlamos a alimentação para que ele possa se desenvolver da melhor forma possível", fala.

A preocupação das mães se justificam pelos riscos que a obesidade, mesmo entre as crianças, podem trazer à saúde. "A criança fica propensa a desenvolver problemas cardiovasculares, de desenvolver diabetes e até de perpetuar a própria obesidade com o passar dos anos", afirma a médica Ieda Verreschi, membro da Sociedade de Endocrinologista e Metabologia de São Paulo. 

Segundo Ieda, a obesidade infantil no País deve ser encarada com um problema “sério” de saúde pública. "Tanto o Brasil, quanto o México, por exemplo, são países que vivem um paradoxo. Eles têm crianças desnutridas de um lado, e obesas de outro", fala Ieda.
E para atacar o problema, a educação alimentar seria uma das soluções. No Colégio Rio Branco, localizado no centro de São Paulo, a direção da escola resolveu restringir a venda de refrigerantes e de salgados fritos na cantina da escola. “Preferimos optar pelos sucos e outras comidas mais saudáveis. Se estivéssemos deixado os refrigerantes, a grande maioria dos alunos prefeririam consumir essas bebidas", fala a diretora-geral do colégio Esther Carvalho. A ação venho acompanhada de uma série de iniciativas voltadas à conscientizar os alunos a praticarem bons hábitos alimentares.

 
Escolas Públicas

Na rede pública estadual de São Paulo, vários programas da Secretaria de Educação (SEE) estão focados na educação alimentar. 

"O Alimentação Saudável é uma das iniciativas voltadas à educação nutricional. A partir do 2º semestre teremos uma ação para medir o peso e a circunferência da cintura de mais de 13 mil alunos em 128 escolas da rede", fala Manoela Birolli, diretora-substituta do Centro de Supervisão e Controle do Programa de Alimentação Escolar (CEPAE) da SEE. O programa busca, inicialmente, saber o perfil de obesidade dos alunos, para em seguida ser proposta uma ação mais abrangente. 

Consultada, a rede municipal de São Paulo diz que serve diariamente 1,8 milhão de refeições para os cerca de 920 mil alunos matriculados e que a merenda escolar obedece aos padrões da Organização Mundial de Saúde. "Nossas 2.694 escolas não dispõem de cantinas para venda de alimentos e não disponibilizam seus espaços físicos para quaisquer tipos de comércio de alimentos. Nas cozinhas escolares, as refeições são compostas por alimentos que fazem parte do hábito alimentar da população, com boa oferta de frutas, verduras e legumes", afirma em nota.

Brasil

No País, segundo pesquisa divulgada em 2011 pelo Ministério da Saúde, o porcentual de meninos de 5 a 9 anos com obesidade cresceu mais do que cinco vezes entre1975 e 2009, passando de 2,9% para 16,6%.  Nesse ritmo, a taxa deve chegar a 46,5% em 2022.

Já na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso - em 1970, esse índice era de 3,7%.  Cerca de 525 mil crianças e 140 mil jovens têm obesidade mórbida no Brasil.

No final do ano passado, o Ministério da Saúde e a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) - com cerca de 18 mil colégios associados -, um manual com orientações para que as escolas incentivem a oferta de lanches com baixa caloria e alto valor nutritivo nas cantinas. O objetivo é, justamente, diminuir a incidência da obesidade infantil entre os estudantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário