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domingo, maio 04, 2014

SENSIBILIDADE - ELISABETH CAVALCANTE

A idéia mais comumente relacionada ao conceito de sensibilidade é a de uma pessoa capaz de emocionar-se e expressar seus sentimentos sem restrições. Entretanto, o significado mais profundo do termo diz respeito a uma capacidade de estar atento e plenamente sintonizado com todas as dimensões da vida. O sentimento de união com tudo o que existe, seres humanos, natureza, animais, preenche automaticamente aquele que começa a despertar de modo verdadeiro sua sensibilidade.

Quanto mais enraizados estivermos em nossa própria essência interior, mais fortemente perceberemos a ampliação desta qualidade. Ela nos torna abertos e receptivos para tudo o que de mais belo há no Universo. A música, a poesia, a pintura, ou qualquer outra forma de manifestação artística se tornam, naturalmente, alvos de nossa atenção e, até mesmo aqueles que nunca se sentiram tocados de modo especial pela arte, passarão a percebê-la de um jeito totalmente novo.

Quanto mais sensíveis nos tornamos, mais fácil fica entrar em sintonia com qualquer forma de expressão que brote da alma de outro ser humano, e não seja apenas fruto de sua intelectualidade. Nosso verdadeiro ser vibra em sintonia com o Cosmos e com a alma universal, que se expressa em cada pessoa de modo individual, mas que continua sendo uma parte essencial do Todo.

A meditação é o único caminho capaz de nos levar a este encontro e praticá-la ampliará cada vez mais a consciência de nossa própria sensibilidade. Os sentidos físicos se tornam mais aguçados e a emoção mais apurada, ou seja, deixamos de nos identificar de modo especial com os sentimentos negativos como a dor, a raiva, o ressentimento, e passamos a nos conectar mais facilmente com aqueles que nos tornam mais felizes, como o amor, a gratidão e a paz.

Nada neste caminho deve ser pesado ou obrigatório; ao contrário, devemos encará-lo como uma brincadeira, uma prática divertida e leve, que nos levará ao encontro da Fonte de alegria e inocência da qual nos originamos.
 
A Arte de Viver
"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida.

... Então, temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito.

Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você.

Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.

Como se desenvolver? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.

... O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência....Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência.

Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos.

Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.

Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento.

... O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém.
Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento!

Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria.

... Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.

E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...

Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica.... Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.

A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo... Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também...

... Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo, a todo momento, uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.

... Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida.

Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristez.." OSHO (O Livro da Cura)

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