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sábado, agosto 16, 2014

Novo remédio dá mais qualidade de vida a quem tem diabetes - Cecília Dionizio



A diabetes já é considerada pela Federação Internacional de Diabetes (FID) uma epidemia mundial. Só no Brasil, a estimativa é que quase 12 milhões de pessoas sofram com ela, e a perspectiva é ainda pior – de 19 milhões, para os próximos anos. Por conta disso, há uma luta constante na medicina para encontrar novas alternativas de tratamento, a fim de melhorar a qualidade de vida.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o uso da canagliflozina, uma nova classe de medicamentos para agir no controle da diabetes tipo 2 - quando o organismo resiste à ação da insulina e as células beta pancreáticas tornam-se incapazes de produzir insulina suficiente. “Essa classe de medicamentos deve ser usada com cuidado em indivíduos com algum risco de desidratação ou em uso de diuréticos mais potentes.

Por exemplo, idosos com a saúde bastante comprometida”, alerta o endocrinologista Antonio Carlos Pires, professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp). Além disso, está no mercado a bomba de insulina Paradigm VEO, voltada para o diabético do tipo 1, que necessita de insulina para controlar os níveis glicêmicos. 

A bomba faz um monitoramento contínuo da glicose, 24 horas por dia, com leituras atualizadas a cada 5 minutos, indicando em que nível está a glicemia do usuário, além de contar com mecanismo automático de suspensão da infusão de insulina para proteger o paciente contra episódios de hipoglicemia potencialmente perigosos.

Esses e outros assuntos relativos à doença serão abordados, nos próximos dias 29 e 30, durante o 3º Encontro Paulista de Endocrinologia Clínica, cujo tema será “Fases da Vida”. O evento acontece paralelamente ao 25º Encontro de Endocrinologistas do Interior de São Paulo, ambos na Sociedade de Medicina de Rio Preto. 


Novidades no mercado

Os dois novos medicamentos têm como mérito reduzir as dificuldades de controle da diabetes. Quem convive com o transtorno de tomar inúmeros medicamentos para viver bem com a doença sabe da importância de produtos com melhor eficácia. A dona de casa Benedita Almeida, 65 anos, vive acompanhando os lançamentos de novos produtos. “Tenho fé que ainda vai chegar o dia de eu tomar um medicamento só, e não oito, como tomo hoje, para manter a diabetes controlada.
Durmo e acordo pensando nos comprimidos. E isso porque também faço dieta e academia, tudo para ajudar a controlar”, diz. A canagliflozina, para diabetes tipo 2, age nos rins, impedindo que a glicose filtrada seja reabsorvida pela corrente sanguínea. Com isso, oferece melhor controle dos níveis de glicose no sangue, com benefícios adicionais de redução de peso corporal e diminuição da pressão arterial.
O mecanismo de ação do novo medicamento é um fator importante para o processo de absorção da glicose elevada, explica o endocrinologista Walmir Coutinho, do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro e professor da Pontifícia Universidade Católica, do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 

        “A glicose filtrada pelos rins é reabsorvida de volta para a corrente sanguínea e, com este medicamento, ela é excretada, de modo que deixa o organismo livre do açúcar excedente”, diz.

O remédio faz com que ocorra a eliminação do excesso de açúcar pela urina, assim, reduzindo os níveis de glicose no sangue. O único problema é que, por ser um produto que exigiu muitos estudos, ainda não tem um valor fixado para sua comercialização, tampouco deve ser aprovado rapidamente para o Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez não deverá ter um custo muito acessível. 

Ainda assim, Coutinho reforça a importância de novos medicamentos, uma vez que, embora existam vários medicamentos para combater a diabetes do tipo 2, muitos pacientes ainda não conseguem ter a doença controlada.
 



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