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segunda-feira, julho 17, 2017

MULHERES INTERROMPIDAS

Funcionarias com alto potencial desistem de cargos de liderança por pressões internas e externas. Por Ana Carolina Diniz - Caderno Boa Chance

Uma pesquisa da consultoria americana McKinsey mostra que, se houvesse a equidade de gêneros no planeta, o PIB mundial teria um aumento d US$ 28 trilhões em 10 anos. Apesar do impacto direto no faturamento das companhias, apenas 10% dos cargos em comitês executivos de empresas no Brasil são ocupados por mulheres. Em posições de direção e gerencia, a participação sobe para 37%, segundo números do IBGE.

Quando finalmente conseguem chegar ao topo, além da cobrança normal a ambos os sexos por resultados, as mulheres ainda sofrem pressões como julgamento pela aparência, preconceito e desconfiança, além de conflitos com a vida pessoal. Nesta jornada, muitas funcionarias de alto potencial desistem de construir uma carreira.

Especialistas dizem que, mesmo em empresas engajadas com o empoderamento feminino, a vida das executivas continua complicada, especialmente por falta de alinhamento da teoria das politicas de RH com a pratica diária. 

A consultoria Talenes faz parte da "Aliança para Empoderamento das Mulheres", iniciativa d 11 instituições como Unilever, IBM e Avon. Ao fazer uma pesquisa com 25 ex-colaboradoras que haviam pedido demissão das empresas participantes, o diretor da Talenses, Rodrigo Vianna, observou que o trabalho para deixar as mulheres a vontade em seus cargos ainda será longo. A maioria das entrevistadas acredita que a saída da empresa foi motivada por aspetos comportamentais, como falta de conexão com a chefia e conflito com a vida pessoal. O fator remuneração, apesar de latente, foi pouco citado.

- A maioria das executivas não tinha interesse em sair da empresa, mas como não havia liberdade, foi se distanciando da organização com quebra dos valores e da cultura. A importância deste estudo é entender o bastidor, o que aconteceu para uma mulher de alto potencial não se transformar em alto rendimento. Toda demissão é uma perda importante na empresa que investiu tanto tempo no profissional -  diz Rodrigo, lembrando que o próximo passo da pesquisa é qualificar para embasamento acadêmico e envolver mais corporações na mostra. 

A barreira invisível de comunicação com a liderança masculina é outro aspecto que empurra as executivas para a desmotivação:  

- Uma ex-colaboradora me relatou que, apesar de amar futebol e ter uma bandeira do clube do coração em sua mesa de trabalho, o CEO da empresa nunca tocou nesse assunto com ela como fazia com os homens. Tomar um chope depois do expediente com os lideres do trabalho, sendo a unica mulher entre eles, também é algo complicado - lembra ele. 

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